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Vem conhecer o ritmo que está dominando as paradas do Brasil


O sucesso de hits como “Envolvimento”, “Amor Falso”, e agora “Sentadão”, é inegável. Todos esses nomes têm algo em comum, são hits de um dos ritmos que está dominando as paradas, o Brega Funk. Hoje é impossível não conhecer uma música do gênero, mas já se perguntou quando e onde esse estilo musical começou ou quando ele hitou? É isso que te contamos agora.

O Funk pernambucano deu origem a tudo isso, lá nos anos 80. Suas inspirações vinham do Funk carioca, que estava começando a se popularizar, porém, existiam diversas rinchas internas que fragmentavam os músicos e os fãs, e as músicas da época incentivavam essas brigas e rivalidades entre bairros, o que tornava eventos públicos como bailes ou até mesmo visitas ao shopping perigosos, caso houvesse encontro de grupos rivais. Toda essa situação impedia que o ritmo saísse da bolha e alcançasse um público maior, tornando-o cada vez mais um som marginalizado, sem muita visibilidade externa.

Por causa de todos esses conflitos, ganhar dinheiro com o Funk não era uma tarefa fácil, pois as casas de show não queriam se associar aos funkeiros pela imagem estigmatizada de violência que eles herdaram dos bailes. Contra partida, os anos 2000 trazia outro ritmo que ganhava destaque por estar se incorporando as casas de show, representado por bandas do chamado “Brega Pop”, que eram músicas lentas românticas que promoviam os ritmos típicos regionais, com o forro eletrônico do Ceará e com influências do tecnobrega do Pará.

Enquanto ganhava forma, o Brega Funk trocava a rivalidade de bairros por uma guerra dos sexos, o que os músicos diziam ser uma disputa mais saudável, algo que se tornou uma característica do gênero. Quanto mais o Funk se tornava inviável pela falta de expansão comercial e o Brega despontava, não havia outra saída a não ser aproximar-se do Brega caso os MCs quisessem se manter na ativa.

Sabe quando dizem que a mãe da criatividade é a necessidade? Bem, esse ditado não poderia estar mais certo. A falta de alternativa fez com que os funkeiros mais jovens incorporassem o Brega na sua música, o que resultou na criação de um ritmo próprio, só deles. E entre 2008 e 2009 o Brega Funk surgia na sua forma mais consistente, mas ainda faltava um pouco para alcançar o grande público.

Muitas músicas foram lançadas nessa época como por exemplo, “Ingratidão” de 2009, uma versão da Banda Vida Louca para “Halo”, de Beyoncé. Mas não foi o suficiente para furar a bolha. Porém o hit chega para todos e para o Brega Funk não foi diferente.

Quando Paloma Roberta Silva Santos, uma jovem humilde do bairro de Prazeres, em Jaboatão (PE), lançou de forma despretensiosa um vídeo descontraído na internet com suas primas, as gêmeas idênticas Mariely Santos e Mirella Santos, ela viu suas vidas mudarem completamente. Neste vídeo, sem orçamento e feito de forma amadora, ela aparecia interpretando uma música de sua autoria intitulada “Envolvimento”, juntamente de suas primas que apareciam como suas dançarinas, e pronto, ali nascia MC Loma e As Gêmeas Lacração.

Graças a movimentação que gerou na internet, não demorou muito até personalidades como Felipe Neto e artistas como Anitta comentarem a respeito, fazendo com que o vídeo se tornasse um fenômeno nacional e conseguindo para MC Loma um contrato com a KondZilla, a maior produtora de Funk do Brasil. Mas o que tornava essa música tão especial? O que fez com que uma menina de apenas 15 anos dominasse o Carnaval de 2018, garantindo a ela o título de Música Do Carnaval 2018?

Além de uma letra chiclete, essa música trazia algo a mais, um ritmo que se parecia com o Funk, mas que tinha uma pegada diferente, ou seja, era algo novo que poderia ser explorado. Sua melodia era algo regional, bem dançante e que não importava o que fosse, como Loma dizia em sua música “Esse hit é chiclete e na sua mente vai ficar”, uma vez que você ouvisse, já estaria Alomatizado. Ela não sabia, mas havia aberto a porta para diversos artistas que investiriam nesse ritmo regional que estava pronto, depois de anos, para tomar o país.

Logo depois, em março de 2018 Aldair Playboy chegou trazendo uma sofrência ao som do Brega Funk, a intitulada “Amor Falso”. A música ficou entre as mais tocadas no Brasil, Paraguai e Portugal. Sendo que no Brasil, a música ficou bastante tempo em 1° lugar nas mais tocadas das rádios e plataformas musicais. O sucesso da canção gerou o interesse dos cantores Wesley Safadão e Kebinho, que se uniram ao Aldair para fazer uma versão da faixa com a participação de ambos. O sucesso rendeu também ao cantor um contrato com a Luan Produções, empresa responsável pela carreira de artistas como Wesley Safadão, Gabriel Diniz e Márcia Fellipe.

E como esquecer do hit que estourou depois de aparecer nos stories de ninguém menos que Neymar Jr., a música gravada por MC Bruninho, “Jogo do Amor”, em 2018 garantiu ao jovem, de apenas 11 anos na época, fama nacional e hoje, já com outras músicas no seu setlist, conta com mais de um milhão de ouvintes mensais no Spotify.

Já no finalzinho de 2019, o cantor, DJ e produtor carioca Pedro Sampaio, conhecido pela música “Chama Ela” em parceria com a cantora Lexa, lançou a colaboração com Felipe Original e JS, a faixa “Sentadão”, que em ritmo de Brega Funk, dominou as paradas do Brasil após apenas onze dias de seu lançamento. Alcançando a 23° posição do top 200 do Spotify Brasil.

Ainda em 2019 chegava a primeira parte do 111, a primeira parte do terceiro álbum de estúdio de Pabllo Vittar, e entre as quatro músicas estava “Amor de Que”, música que ganhou uma versão remix em Brega Funk no dia 31 de janeiro de 2020, com a participação de JS e Thiaguinho MT. Ambos ganharam destaque também pela música “Tudo Ok”, com a participação da cantora Mila. A faixa se encontra em primeiro lugar na playlist do Spotify “As 50 Virais do Brasil”, sendo muito popular também nas redes sociais como Instagram e Tik Tok, com diversos vídeos de usuários interpretando o refrão: “É hoje que ele paga todo mal que te fez/ Cabelo ok, marquinha ok, sobrancelha ok, a unha tá ok/ Brota no bailão pro desespero do teu ex”. Tornando “Tudo Ok” o primeiro hit de 2020.

Assim fica fácil afirmar que ainda teremos muito do Brega Funk por aí e que ele veio para ficar. O que começou como uma forma criativa dos MCs pernambucanos se manterem na ativa e explodiu para todo o Brasil em um vídeo caseiro e sem muitos recursos, hoje está cada vez mais presente na indústria musical, ganhando mais força e representantes a cada dia.

Ah, e vale lembrar que o Spotify tem uma playlist especial só de Brega Funk para você que ama esse estilo musical e que, assim como eu, já não consegue imaginar sua vida sem ele, porque cá entre nós, até a sofrência fica mais divertida no nosso querido Brega Funk.

Marllon Paixão (2)

Três coisas muito importantes sobre mim: sou carioca, adoro pizza e ouço muito Adele. De resto... sou só um futuro jornalista que adora escrever e precisava colocar para fora tudo o que tinha na cabeça.

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