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Crítica: ‘Lock & Key’, Essa Porta Não Vale A Pena Abrir! Sem Spoilers.


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  • Publicado em 09 de fevereiro de 2020

Meu coração acelera todas as vezes que a Netflix lança algum conteúdo novo e interessante nas sextas-feiras, pois é o momento em que eu posso me sentar no meu sofá, tomar minha Gin Tônica e esquecer do mundo. Foi exatamente o que aconteceu dia 07 de fevereiro, quando – desavisado – abri o streaming e encontrei ‘Lock & Key’ uma série que eu estava aguardando há algum tempo, mas me esqueci completamente quando seria lançada. Porém, depois de maratonar quase 10 horas de série, posso dizer uma coisa: Me senti roubado. (10 horas de vida que nunca mais voltarão!)

Sabe quando você pede um lanche pelo Ifood ou Uber Eats e o restaurante esquece de colocar a cebola, a salada ou o tomate, que não parecem, mas são partes essenciais de um lanche de hambúrguer vegano ou não?! Foi do mesmo jeito que me senti quando terminei de assistir a esta série.

‘Lock & Key’ é um drama sobrenatural que mistura elementos de terror, comédia e romance. Não vou mentir, parece muito com um filme adolescente estendido e cortado em 10 partes. Tirando todas as cenas desnecessárias (Quase capítulos) e o ritmo de montagem que a série optou em seguir, algumas coisas funcionam e a maioria não, mas inegável é não se intrigar pelo misterioso mundo que a série nos apresenta. Poderia ter sido muito mais imersivo do que foi, mas vamos chegar nessa parte!

Começando pelos atores e personagens, posso afirmar que tive dificuldade em separar o bom do ruim, e entender se o problema era a escrita – com certeza, em inúmeros momentos é – ou se a atuação péssima vinda de Emilia Jones (Kinsey Locke) e Conor Jessup (Tyler Locke) é falta de preparo e experiência. De qualquer forma, não funcionou. Darby Stanchfield (Nina Locke) por outro lado, é uma atriz muito mais experiente e consagrada na TV americana, que definitivamente entrega uma das melhores performances do elenco, e trabalha muito bem com o que lhe foi entregue. Mas o destaque e “prêmio” de melhor atuação vai, com certeza para o pequeno Jackson Robert Scott, que interpreta o membro mais novo da família, Bode Locke.

A série gira em torno de Nina e seus três filhos, Kinsey, Tyler e Bode, que após uma tragédia – O assassinato de Rendell Locke (Bill Heck), o pai da família –, Nina decide se mudar de Seattle com seus filhos para a mansão da família Locke (Herança de Rendell Lock), em uma cidade pequena. A mansão carrega inúmeros mistérios e esconde diversas “chaves mágicas” que sussurram para as crianças, e eventualmente Bode começa a encontra-las e a descobrir a magia por trás delas, apenas para descobrir também, que existe um ser sobre-humano que deseja roubar todas as chaves e daí pra frente, inúmeros mistérios são inseridos no meio da história que te fazem bater a cabeça contra a parede, tentando descobrir aonde a série está te levando.

Sendo bem sincero, os primeiros capítulos – por mais que eu desaprove completamente a estrutura de alguns personagens – me intrigaram e tive forte vibes de ‘Harry Potter’ e ‘Stranger Things’ – talvez seja porque ‘Lock & Key’ foi feito para o mesmo público que as dois títulos que citei -, porém, depois do terceiro/quarto capítulo, tudo começou a desandar e tenho sérias dúvidas sobre a produção da série. É óbvio que não se deram tempo o suficiente para amadurecer o roteiro. A escrita chega a ser péssima em parte e o diálogo pior ainda.

Ao longo dos episódios, descobrimos mais sobre a morte de Rendell Locke, e sinceramente? No começo eu fiquei intrigadíssimo, mas uma coisa tão simples e nada complexa se arrastou tanto em dez capítulos desnecessários, que senti vontade de pular tudo ou pesquisar no Youtube – Coisa que, infelizmente não fiz.

A premissa da história é incrível, não irei desqualificar o que ainda está por vir – se é que a Netflix decida renovar -, mas o que fica extremamente claro, é a falta de atenção e cuidado na criação do conteúdo. Tirando todos os furos de continuação e roteiro, o que se sente é um gosto de insatisfação, de que poderia ser muito mais do que realmente é. Eles poderiam ter feito tanto com a história, mas não conseguiram nem mesmo aperfeiçoar e trabalhar com o pouco que já tinham.

Resumindo, é fácil perceber que ‘Lock & Key’ não sabe muito bem o que quer ser, tanto em tonalidade quanto em direção. Essa foi mais uma aposta da Netflix, em sua incessante busca pela próxima ‘Stranger Things’. Mas, não foi dessa vez!

Assista apenas se estiver interessado em algo para distrair a mente e não levar a sério – mesmo que seja difícil não levar á sério quando se tem 10 horas de conteúdo.

Nota final: 4/10

Cal F. (10)

21 anos, escritor, (quase) formado em marketing. Apaixonado por entretenimento e, principalmente, por cinema!

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