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DAMMIT Entrevista: Nina Fernandes lança videoclipe de “Arroz Com Feijão” com OutroEu e fala sobre próximos passos na música

Conversamos com a cantora sobre sua nova música de trabalho “Arroz Com Feijão”, o videoclipe da faixa, amizade com os meninos do duo OutroEu, inspirações e muito mais. Confira!


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  • Publicado em 30 de maio de 2019

Com apenas 19 anos, Nina Fernandes é uma das artistas que vêm se destacando no cenário nacional. A cantora começou sua relação com a música durante a infância, aos seis anos, quando fez sua primeira aula de canto. Mas foi apenas aos 15, que a paixão pelo mundo musical floresceu através de suas composições. Com um jeito meigo e madura para a sua idade, características presentes em suas canções, Nina, agora com 19 anos, já lançou dois EPs (autointitulado e Digitando…) e possui em seu portfólio participações em trilhas sonoras de duas produções da Rede Globo: a premiada Cruel, esteve na novela Tempo de Amar, e Beijo, que embala a nova temporada da Malhação, Toda Forma de Amar.

Nesta quinta-feira (30) Nina Fernandes lançou seu mais novo videoclipe Arroz Com Feijão, faixa em parceria com o duo OutroEu. Tivemos a oportunidade de conversar com a artista sobre o vídeo, carreira, música, influências e planos para o futuro. Confira a entrevista completa:

DAMMIT: Antes de falarmos sobre o videoclipe de Arroz Com Feijão, que foi lançado hoje, podemos conversar um pouco sobre a sua carreira em geral.  Como começou a sua relação com a música?

Nina Fernandes: Eu sempre gostei muito de cantar desde pequenininha, minha família sempre foi bastante musical, meus pais sempre foram grandes fãs de música em casa, minha mãe sempre colocou músicas para mim e o meu avô tinha uma enorme coleção de discos de vinil que eu herdei e me apaixonei. Mas foi quando eu tinha uns 15 anos que comecei a gostar de escrever canções, tive um projeto de música eletrônica com amigos da escola, e foi um tempo que me marcou demais por isso. Fiz amigos que também estavam no mundo da música, que foi o caso dos meninos da OutroEu, que conheci quando tinha uns 15, 16 anos. E também me apaixonei mais ainda pela música brasileira, porque estava mais acostumada a ouvir o pop americano. Sempre falo que o que eu mais gosto de fazer é estudar a música brasileira, mas juntar ela com a sonoridade norte-americana, que acho fascinante também. Desde então, eu sou apaixonada por música.

D: Foi durante um encontro por acaso com o Nando Reis que você foi incentivada a começar a compor. Como foi isso?

NF: Antes disso, eu costumo contar que estou bem de padrinho, porque a minha família sempre foi muito amiga do grande Jair Rodrigues, através dele conheci o Jair Oliveira e talvez ele tenha sido a primeira pessoa a me incentivar a compor. O Jair Oliveira sempre me disse que eu deveria ter um trabalho autoral e ouvindo isso acabei fazendo um curso de composição fora do Brasil. Quando eu estava voltando, acabei encontrando o Nando Reis no avião e foi super engraçado. A gente trocou muita ideia sobre música, além dele me incentivar a fazer as minhas próprias composições, ele falou muito também sobre a riqueza da música brasileira e me senti instigada a ouvir mais. Eu escutei muito Nando na minha infância, porém nas nossas conversas nós falamos muito sobre a música nacional nos primórdios. E é muito engraçado, que por ironia assim, acabei dois anos depois entrando na faculdade e fiquei amiga do filho dele, super amiga do Sebastião, sem nem saber que ele era filho do Nando, só lá pelo meio do ano que eu descobri que ele era filho dele e disse “Puts! Tive um encontro muito engraçado com o teu pai, mudou muito a minha trajetória”, são as ironias da vida, né?

D: Vocês ainda têm contato?  

NF: Eu não tenho muito contato com o Nando, mas tenho com o Sebastião. Ele tem uma carreira musical belíssima e eu sou fãzona, sempre acompanho pelas redes sociais. Acompanho a carreira do Nando também, porém acho que eles foram mais como uma luz que apareceu na minha vida mesmo.

D: Como é o seu processo de composição? O que te inspira na hora de escrever?

NF: Eu gosto muito de observar o que acontece na minha própria vida, os meus sentimentos. É uma coisa um pouco adolescente, mas acho que faz parte de ser artista a gente se espelhar um pouco na própria vida para falar sobre amor nas músicas. Porém, creio que ao longo da minha pequena trajetória como artista fui entendendo que ser compositora também é desenvolver um olhar mais sensível para as coisas que acontecem ao redor de mim, não necessariamente com a minha própria vida. Então, ouço com mais carinho histórias que tocaram a vida dos meus amigos, da minha família ou de gente desconhecida que às vezes conheço por rede social e me fascino. Não é à toa que nesse trabalho novo, que eu lancei em janeiro, estava buscando isso, falar sobre assuntos que saíssem um pouco do amor e do romântico, porque acredito que tem tanta coisa linda para a gente falar na vida e acho que o amor acaba sendo tudo, não necessariamente restrito só à esfera do relacionamento. Acabei me apaixonando pelo trabalho de uma atriz, a Alice, e fiz uma música que surpreendentemente tem um retorno legal, achei que fazendo uma faixa com um tema um pouco diferente as pessoas talvez não se identificassem tanto, mas fico muito feliz de saber que até músicas que falam sobre admiração por alguém ou sobre a passagem do tempo são canções que atraem os ouvidos.

D: Você lançou em janeiro o seu segundo EP “Digitando…”. Como foi a produção desse projeto?

NF: Foi um processo muito enriquecedor, aprendi muito e desenvolvi uma das grandes paixões da minha vida hoje em dia que é a produção musical, porque estive 90% envolvida nesse processo de buscar por timbres que tivessem mais a minha cara e de estar mais atenta ao que acontece no estúdio. Então isso foi muito importante para mim, porque descobri uma paixão, que quero seguir não só com o meu trabalho, mas quem sabe um dia poder produzir outras pessoas também, isso seria muito incrível. Foi um trabalho que me fez descobrir tudo isso, acredito que como o próprio nome diz, no gerúndio, estou digitando e entendendo ainda, mandando essas mensagens para o mundo e recebendo de volta esse retorno, me entendendo musicalmente, me descobrindo.

Foi um processo muito lindo, eu sempre falo para o Juliano Cortuah, o meu parceiro na produção desse disco, que foi um trabalho quase manual, às vezes a impressão que eu tinha era de que a gente estava bordando e que cada detalhe fazia a diferença. No fim das contas, a música é uma história mesmo, então nós procuramos ter maior atenção pelos pequenos detalhes.

D: Você divulgou hoje o videoclipe de Arroz Com Feijão, uma parceria com OutroEu. Conte um pouquinho sobre a história do videoclipe, como foram as gravações?

NF: Eu estou muito feliz de estar lançando esse clipe. Acho que desde 2017, quando gravamos o meu primeiro vídeo, o de Cruel, que eu e o meu pai — que também é um grade fã de cinema —, a gente sempre busca por esse rigor estético, falo do meu pai porque é ele quem hoje me ajuda, me empresaria. Nós sempre gostamos de ter essa preocupação com a direção de arte, com a fotografia. E estou muito feliz com o videoclipe de Arroz Com Feijão, pois a gente acabou inserindo uma narrativa, um storytelling, então o clipe tem quadros bastante plásticos e aos poucos vai fazendo pequenos sketches, tem histórias, atores, demonstrações de intenções claras. Essa história do casal que se gosta, mas fica se provocando, penso que o grand finale é esse final inesperado e cômico, essa é a parte que eu mais amo no clipe, acho que ele é ousado, estou feliz com ele e estou contente de ter tomado essa decisão e de ter trabalhado com gente tão talentosa. O vídeo é da Prodigo Films, uma produtora que eu sou muito fã, é do Andre Godoi, um diretor incrível. Foi muito divertido trabalhar com eles, a gente gravou numa madrugada em São Caetano, no ABC Paulista, e eu chamei alguns amigos para participarem e também alguns amigos de redes sociais, como integrantes de fã-clubes, e é por isso que ficou tão especial porque tem um pouco de todo mundo.

D: Arroz Com Feijão será a sua nova música de trabalho. Como está a sua expectativa em relação à ela?

NF: Estou muito muito feliz! Acho que não tem emoção maior do que ouvir a sua música na rádio, e essa semana tive o privilégio de escutar, é muito lindo quando a gente percebe que sai do papel e que de alguma forma toca o coração de outras pessoas. Estou feliz de saber que o clipe vai poder complementar a interpretação dessa música, que acredito que a mensagem que eu passo nela é um pouco de “Nem tudo é exatamente como a gente imagina que é”. É uma faixa que tem esse astral meio fofinho, lúdico e fantasioso, e também é uma música que fala sobre uma relação um pouco difícil de um casal que se provoca e meio que o cara não está tão a fim da menina. No fim das contas, eu quis meio que misturar essas interpretações e talvez fazer entender que nem tudo é exatamente como a gente imagina. Estou contente de estar podendo expor essas minhas interpretações de várias maneiras, tanto trabalhando as músicas nas rádios quanto produzindo esse conteúdo audiovisual, que é incrível.

D: Como é a sua relação com Mike Tulio e com Guto Oliveira (integrantes da OutroEu)?

NF: Nós somos muito, muito amigos! Eu comecei a escrever as minhas músicas por causa deles. O Mike me mandou essa música em 2015 e falou que achava que não estava pronta ainda, mas que pensava em fazer uma versão dela com uma voz feminina e uma masculina. A princípio, o Mike me ofereceu essa canção e disse “Ah! Não sei se vou querer usar, acho que é a sua cara e você ainda não tem um trabalho autoral, seria muito legal se a gente terminasse isso juntos e lançasse!”, só que o tempo passou e nós nem tocamos mais na música, a gente fez milhares de coisas e esquecemos dela completamente.  Quando eu estava pensando no repertório do Digitando…, lembrei dessa faixa, e eu sabia da importância de ter uma participação nesse EP novo, era algo que o pequeno público que estou formando já vinha pedindo bastante, principalmente uma parceria com a OutroEu, então propus que a gente gravasse juntos, falei “Puts! Vamos pegar aquela música e gravar?” e acabou rolando e foi lindo. Eles são grandes amigos meus, trocamos mensagens sempre!

D: O seu primeiro EP foi lançado em 2017 e agora temos o “Digitando…”. Quais são as grandes diferenças entre esses trabalhos?

NF: Acho que a maior diferença, é uma diferença que talvez eu observe mais do que uma pessoa que esteja ouvindo, que é essa questão mais técnica, de eu saber que as músicas do Digitando… estão mais maduras em termos de produção, creio que a gente teve mais cuidado na hora de contar a história com maiores detalhes, a busca por timbres diferentes num universo um pouco mais eletrônico, um pouco menos orgânico, isso eu acredito que faz diferença sim. Penso também que há uma maturidade maior na mensagem, porque eu estava um pouco mais velha. Também é um reflexo natural do artista olhar para o trabalho que a gente acabou de lançar e falar “Puts! Faria completamente diferente!”, acho que a vida toda é assim, então ser artista também é aprender a viver um pouco com essa frustração, porque nós sempre achamos que vamos conseguir comunicar de um jeito diferente. Mas não há dúvida que rolou uma caminhada entre um e o outro e tenho certeza que de ainda vai rolar para o resto da vida, essa evolução (risos).

D: O seu estilo de música é um pop calmo, fofo, meigo e alto astral. Como você chegou a esse estilo e como você definiria esse gênero?

NF: Talvez a minha maior referência, até para esse estilo de música tenha sido a Marisa Monte. Ouço muito desde pequena, sempre gostei de ouvir o trabalho dela, todos os dias escuto, tanto os discos em que ela conversa mais com a música brasileira, com o samba e abraça mais isso, quanto os discos do início da carreira, que alguns são mais cabeça, outros acabam sendo um pouco mais populares.

Acho que é um estilo meio pop fofo, mas ao mesmo tempo eu tenho caminhado por um lugar que é um pouco mais indie, creio que Cruel talvez tenha um pouco mais disso. No geral, acredito que o que dá liga para as músicas é mesmo essa questão da produção, porque eu sempre gostei de ouvir muita coisa diferente, então penso que cada música conta uma história no lugar. Alice, por exemplo, é uma canção que talvez de todas as músicas seja a mais diferente, porque ela fala um pouco com essa questão da música regional, nordestina. Enfim, eu não sei exatamente definir, acho que é isso, talvez um pop fofo.

D: Cruel esteve na trilha sonora da novela Tempo de Amar da Rede Globo e além disso, o seu videoclipe foi premiado em diversos festivais pelo mundo como o FMV, o Great Lakes Festival, nos Estados Unidos, o Festival Internacional de Ibiza e o UK Film Festival. Você esperava toda essa recepção positiva? Como foi receber todo esse reconhecimento?

NF: Não, eu não esperava! Fico muito feliz sempre, é uma música que se tornou ainda mais especial para mim, porque era uma faixa que eu fiz no meio do processo de gravação do primeiro EP, então era uma canção que quase não seria incluída no disco e a versão dela também era muito diferente, porque acabei gravando uma primeira guia em casa com um efeito de voz que harmonizava, era uma loucura. Não era uma música que tinha uma estrutura convencional de pop, então eu não pensava em gravar essa faixa, porque achava que ela não iria conversar com ninguém, não pensei que ela fosse uma música conversativa, porém fico muito feliz que ela tenha sido. O clipe de Cruel abriu portas para essa minha paixão pelo cinema e pelo cuidado com a estética, que eu acredito que é fundamental quando a gente conta uma história, porque música também é isso, imaginar aquela história de uma forma visual. E eu não esperava, fico muito feliz sempre!

D: Quais são as suas inspirações musicais?

NF: Talvez a minha maior inspiração da música brasileira seja a Marisa Monte por inúmeras questões, primeiro pela maneira que ela se porta, a relação que ela tem com a música, o modo como ela desenhou a carreira dela com tanta elegância, em um momento bem diferente, sem redes sociais, enfim. Para mim, uma moça que veio pós-grandes cantoras no Brasil como Gal Costa, Maria Bethânia, Elis Regina, você vir depois de uma geração dessa e fazer uma carreira tão bonita, é de se admirar muito, gosto muito dela, sempre tive o sonho de fazer uma carreira tão relevante quanto. Em termos de sonoridade, eu ainda gosto muito de ouvir música pop americana, acredito que o Spotify, a Apple, todas essas plataformas de música digital, hoje em dia permitem essa descoberta de artistas novos, eu tenho ouvido muito Billie Eilish, Maggie Rogers, Aurora, que é uma artista norueguesa incrível. Busco ouvir um pouco de tudo, talvez essas sejam as minhas maiores referências.

D: Você é super jovem e tem uma carreira promissora. Quais são os seus sonhos como artista?

N: Eu sempre falo que o sonho é o que estou vivendo agora, com certeza. Há um ano o que eu mais queria era poder fazer show pelo Brasil e é isso que eu estou fazendo atualmente com o meu trabalho, é uma coisa que a gente imagina, mas não pensa que é possível. Acredito que o meu sonho é sempre o próximo passo que dou, acho que sou muito privilegiada, muito abençoada de estar vivendo tudo isso agora, talvez o meu sonho seja continuar a fazer o que eu faço e poder falar com mais pessoas cada vez mais, porque música é comunicação e creio que não há nada de errado em querer falar com mais gente.

D: Para encerrar, o que podemos esperar de você neste ano? Um álbum?

NF: Estou querendo lançar um EP até o final do ano e talvez entre o final desse ano e o início do próximo, lançar um álbum. Porém ainda estou entendendo a maneira que as pessoas consomem, acho que hoje em dia compensaria mais gravar bastante coisa e ir lançando de pouquinho, acredito que é a forma como o público acaba consumindo música. Eu tenho tentado focar em cada coisinha, atualmente estou muito compenetrada nisso de fazer show, agora no dia 14, a gente tem um show no Rio de Janeiro, no Solar de Botafogo. Imagino que devo continuar até a metade do ano fazendo esse show de Digitando..., que é a junção desse trabalho que lancei em janeiro com aquele EP divulgado em 2017 e algumas poucas versões. Até o final do ano pretendo mudar um pouquinho show, trazer um repertório novo e é isso!

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Reportagem: Victória Lopes

Redação (719)

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