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K-Reviews: Confira os principais lançamentos do K-Pop em março


Março foi com certeza um mês de muitas surpresas para essa coluna. Me apaixonei por músicas de artistas que nunca tinha gostado na vida, ganhei alguns debuts maravilhosos com novos grupinhos para chamar de meus e com certeza me diverti muito com algumas das coisas que assisti.

Sem mais enrolação, vamos nessa! (Ah!, está tudo em ordem dos lançamentos, viu?)

 

Sunmi – Noir

Rainha é rainha, né? Esse é apenas o terceiro comeback da Sunmi que eu acompanhei, mas como nos outros dois, sabia que ela não iria me decepcionar (muito). Noir – assim como Siren, seu último lançamento – tem uma vibe anos 80 e uma mensagem madura. Dessa vez criticando a obsessão da sociedade com curtidas em redes sociais, Sunmi traz nos pequenos detalhes as coisas especiais de sua title.

Não são grandes vocais ou batidas explosivas que tornam tudo que Sunmi toca em ouro, mas sua habilidade em fazer o refrão mais simples do mundo como o de Noir ficar grudado na sua cabeça pra sempre. E esse é um mérito que poucas pessoas conseguem ter. Fico um pouco triste por a ser um pouco do mais do mesmo, justamente o clima oitentista com sintetizadores bem parecidos com os usados no passado – apesar de dessa vez ser uma melodia mais tranquila, que dependo da produção poderia virar uma pseudo-balada sem grandes ajustes –  mas enquanto suas releituras de si mesma continuarem sendo boas, estou mais do que pronta para continuar apreciando.

 

TXT – Crown

Eu estava muito ansiosa pro debut do TXT (Tomorrow x Together), muito mesmo. Eu já sabia que eles iam tentar fugir ao máximo da imagem do BTS, mas estava curiosa com a forma como fariam isso. Desde os teasers – e por causa da idade dos meninos (os mais novos são de 2002????) – eu já esperava uma imagem muito soft e divertida e fiquei muito feliz em ter recebido até mais do que esperava.

Eu tenho alguns receios com conceitos fofos masculinos e é muito difícil de gostar de primeira (ou de segunda ou de quinta) dependendo de como ele é executado. Mas Crown consegue ser uma sequência de surpresas boas uma atrás da outra.

Os instrumentos são leves e divertidos, o refrão não tem uma batida forte, mas tem uma energia absurda por conta dos vocais – que são muito bons também – sem contar a coreografia impecável que nem é assunto aqui, mas deveria ser.

Crown é tudo que um debut deveria ser – divertido, dando o tem para o que é o grupo e quem eles pretendem ser, além de apresentar bem os integrantes e suas qualidades. Agora fico no aguardo para o que eles vão aprontar em seu primeiro comeback também com as expectativas lá em cima.

 

Wooseok X Kuanlin – I’m a Star

Primeiramente, eu nem sabia que o Kuanlin era rapper, então eu com certeza não estava esperando nada parecido com o que é I’m a Star.

Quando a música começou, meu primeiro pensamento foi que a voz dos dois era muito parecida e que sentiria falta de um contraste entre os tons. Não posso dizer que não aconteceu, mas fiquei feliz em ouvir o Wooseok com um tom mais leve e melódico do que muitas vezes ele apresenta no Pentagon.

A música tem uma vibe muito gostosa e, apesar de nenhum momento grandioso, também não é chata ou cansativa, passando inclusive bem rápido

 

Park Bom – Spring

Não tendo nenhum conhecimento em Park Bom ,eu honestamente não sabia o que esperar de Spring, mas com certeza não era isso. A quantidade de emoção que tem em tudo nessa música é algo que eu não consigo comparar com nenhuma outra.

Desde os instrumentos até a voz e o vídeo, é muito clara a carga emocional que Bom pretendia passar com seu tão aguardado comeback solo dois anos após o disband do 2NE1 e cerca de oito anos depois de seu último projeto sozinha.

Não posso dizer que essa é uma música que de fato gostei ou que vou voltar a ouvir porque o estilo honestamente não me agrada muito, mas ela tem um contexto tão importante que nem tenho coragem de criticá-la como faria em outro momento. Então vamos encerrar por aqui com um parabéns e felicidades Park Bom, você merece.

 

Mamamoo – gogobebe

Quando os primeiros teasers de gogobebe foram liberados, eu estava esperando uma música explosiva, com uma vibe bem “pop bitch” pronta pra ser tocada na balada. E apesar de essa ser exatamente sua proposta, o Mamamoo chegou muito perto do que prometeu, mas parou no quase.

Os versos de gogobebe são muito divertidos e mostram bem os vocais e características de cada uma das meninas do quartetos. Eles constroem bem uma antecipação para o refrão e é tudo perfeito até o “drop, drop drop”. Mas aí o tal drop não vem. O refrão é tão simples que são outros pequenos detalhes da música que ficam na cabeça – isso quando ficam ou eu não começo a cantar Friends, do Marshmello com a Anne-Marie no lugar já que as músicas são no mínimo muitissimo parecidas.

gogobebe tinha tudo para ser um verdadeiro hino pop, e não é que ela não seja divertida ou ruim, longe disso, mas ficou tão no quase que agora é colocar Egotistic no replay e esperar o próximo comeback.

 

VAV – Thrilla Killa

O VAV é um grupo querido no meu coração por ter sido o primeiro artista de k-pop que eu vi ao vivo na vida. Apesar disso, tirando She’s Mine, eu nunca consegui gostar muito de nenhuma música deles. Mas talvez Thrilla Killa tenha chegado para mudar isso.

A guitarra misturada com a batida pop cria uma vibe meio nostálgica tão gostosa desde o começo da música. A voz mais grossa dos rappers é um contraste ótimo com os vocais mais altos e limpos e que chegam no refrão com uma melodia deliciosa. Os visuais da era completam o pacote incrível de Thrilla Killa e encerro aqui muito feliz com o que o VAV me deu e já ansiosa para ver se vamos continuar com essa qualidade incrível em próximos comebacks.

 

Everglow – Bon Bon Chocolat

Eu acho que já podemos dizer que as mulheres estão absolutamente dominando 2019, né? Principalmente quando falamos em debuts. O Everglow chegou meio de fininho, como quem não quer nada, e conseguiu de cara me dar o que já é uma das minhas músicas preferidas do ano.

O clima mais pesado e com batidas bem de R&B são perfeitos para diferenciá-las do que os outros rookies – e até grupos mais antigos – vem fazendo. E somado com um refrão com batida forte, uma coreografia relativamente simples e alguns trechos chicletes o suficiente para ficar na sua cabeça sem você se irritar, Bon Bon Chocolat tem tudo para ter pelo menos algum tipo de longevidade, pelo menos nas festas de k-pop por aí.

 

DIA – WOOWA

Antes da música começar, queria pontuar aqui que a estética de luzes azul e rosa dos clipes está começando a cansar. Sério. O K-Pop consegue fazer melhor do que isso. Agora vamos para o que interessa. Logo nos primeiros 15 segundos de WOOWA a gente já consegue definir uma palavra para ela: datada. A batida é tão 2ª geração que se me tocassem a música dizendo que é Girls Generation ou f(x) eu acreditaria sem pestanejar. Inclusive, o próprio nome do grupo por algum motivo parece vir diretamente de 2009, não perguntem o por quê.

Isso não quer dizer que a música seja ruim. O refrão é chiclete o suficiente, a batida dos versos é bem agradável e os vocais são bem sólidos apesar de nenhum deles ter sido um grande destaque. A música está uma década atrasada para ser lançada? Sim. Mas isso não nos impede de curtir e repetir um nanananana por aí. Quem sabe no próximo comeback elas não chegam em 2015, né, ficamos na torcida.

 

Momoland – I’m So Hot

Ok, vamos ser bem sinceros aqui. Eu estou exausta do Momoland. Depois do hino sem falhas que foi Bboom Bboom no início de 2018, já está ficando chato elas tentarem repetir a fórmula do sucesso.

E se BAAM foi uma primeira tentativa que, apesar de inferior, ainda boa o suficiente para gente conseguir curtir e se divertir, I’m So Hot só se tornou uma caricatura delas mesmas.

Os versos são construídos da mesma forma, o break de rap também, a coreografia segue forçando um viral, mas o maior problema da música dessa vez é que ela é ruim. Tipo ruim no nível eu não cheguei a terminar porque o refrão fica tão insuportável se repetindo no fim que eu fisicamente não consegui. E eu tentei mais do que uma vez (foram umas três).

Os sintetizadores são chatos, os versos são chatos, o clipe é bem qualquer coisa e nem o carisma da JooE conseguiu salvar o grupo dessa vez. Infelizmente agora é ignorar o máximo possível a existência de I’m So Hot e esperar que elas finalmente desapeguem de Bboom Bboom para um próximo comeback.

 

Taeyeon – Four Seasons

Eu tive que ouvir Four Seasons algumas vezes para poder começar a formar uma opinião e a verdade é que eu terminei sem nenhuma porque a música não quer me dizer nada. Os vocais são ótimos, ela é uma balada correta, com elementos um pouco puxados para o reggae que dão um pouco mais de vida a ela, mas ao mesmo tempo consegue não ir para lugar nenhum. Eu não me incomodei com Four Seasons a ponto de pensar “nossa, nunca mais quero ouvir essa música de novo”, mas também falta alguma coisa nela que me faça ter vontade de colocá-la na minha biblioteca, fazendo com que a música seja só mais uma na minha lista de reviews do mês.

 

Stray Kids – MIROH

Eu já tentei muito gostar de Stray Kids. Muito mesmo. Acho os meninos uns fofos, acho a rapline absolutamente incrível, mas tenho um problema muito claro com tudo o que já ouvi deles: barulho. As faixas que ouvi sempre tinham muitas camadas de som que ficavam confusas e eu não conseguia de fato curtir.

E confesso que antes de ouvir MIROH ouvi muitas críticas falando justamente sobre isso e eu honestamente fui pronta para odiar. Mas para a surpresa de todos, inclusive minha, eu gostei????

MIROH não está nem perto da minha lista de favoritas e honestamente não devo colocar nas minhas playlists, mas isso por que eu realmente não consigo ouvir esse tipo de eletrônica, nem em balada, show, muito menos em casa. Mas apesar disso ela faz sentido dentro do que se propõe.

As camadas de som não são confusas ou se juntam de um jeito que seja apenas barulho, sendo bem fácil dividir batida e linhas de sintetizadores. Tem umas batidas de porta aqui e ali no último refrão e umas sirenes no começo que eu tiraria se pudesse, mas nada que me deixe atordoada – como já aconteceu com outras músicas do Stray Kids -, me deixando um passinho mais perto de de fato começar a acompanhar o grupo.

 

Pentagon – Sha La La

O Pentagon foi um dos primeiros grupos que comecei a acompanhar no k-pop e estava muito ansiosa para ver o que fariam nesse comeback em específico. Enquanto Naughty Boy foi, para mim, uma transição de um baque, acho que é Sha La La que de fato traz o tom de como será o grupo daqui pra frente com a ausência do E-Dawn (ele foi afastado do grupo e cortado da empresa depois de descobrirem que ele namora a solista HyunA há cerca de dois anos)

E fico muito feliz de ver que eles seguem bem e com muita força. Apesar de não ser pessoalmente meu estilo preferido de música, Sha La La tem todos os elementos que sempre foram a essência do grupo: batidas dançantes, coreografias com muita energia e vocais incríveis. Senti um pouco de falta da rapline, principalmente do Yuto (e da entrada icônica “Yutoda”), que teve só meio verso, mas não é nada que tenha destoado do resto da música.

É um pouco difícil analisar o lançamento sem a carga emocional, por isso não vou fazê-lo. Eu só estou feliz em ver o Pentagon seguindo seu caminho e espero que continuem ainda por muito tempo fazendo o seu melhor. E pode ser que outro hit como Shine nunca venha, mas o importante é eles estarem juntos e seguindo em frente.

 

KARD – Bomb Bomb

O que dizer sobre o KARD né, amores? O tropical house de sempre está aí, mas dessa vez com versos mais fracos do que costumam entregar, principalmente o primeiro da Jiwoo, que tem uma melodia esquisita.

O BM tem um monte de partes gritando que poderiam ser melhores, mas o resto ficou bem dividido. A coreografia em grupo não foi mostrada o suficiente para eu formar uma opinião e, numa conclusão geral, é uma música padrão do KARD, mas inferior a coisas ótimas que já fizeram no passado, como You In Me ou Rumor.

E pra finalizar, a resposta é sim, Jeon Somin.

 

1TEAM – Vibe

Eu estava muito, muito ansiosa para esse debut. Como fã do IN2IT, acabei assistindo o reality show que formou o grupo – o Boys24 – e dois dos participantes estão no 1Team, o Rubin e o BC. Os dois também participaram do Mixnine e depois de tudo isso ainda não tinham conseguido debutar, então fiquei mais do que animada em ver eles finalmente tendo sua chance.

E eu não poderia estar mais feliz com Vibe. O clima da música é uma delícia, conseguiu apresentar bem os meninos e suas personalidades e vocais, além de um espaço pro BC mostrar o porque ele chegou a vencer a Boys24, já que era de longe o melhor rapper da competição (ele não debutou com o IN2IT porque achou que o estilo musical não era o que ele queria e saiu do grupo pouco depois do fim do reality).

A música e o MV são leves e divertidos a ponto de colocar um sorriso no meu rosto o tempo inteirinho, além de deixar aquela vontade de ouvir de novo e novo por não ser nada cansativa. Eu não posso colocar no repeat agora porque tenho que acabar essas reviews, mas com certeza logo mais dou mais mil plays enquanto torço para que eles tenham todo o sucesso do mundo.

 

Holland – Nar-C

Acompanhar o Holland desde que ele debutou é uma verdadeira obrigação para mim. Por mais que não seja considerado parte da indústria do K-Pop por muita gente por não estar inserido na indústria pela forma convencional (ele não é contratado de nenhuma agência ou participa de programas de TV e competições de música), a importância de ter um idol abertamente gay é enorme demais para a gente não colocar ele aqui.

Depois da honesta Neverland e a dançante (mas com clipe que me fez chorar) I’m Not Afraid, eu não sabia em qual sentido ele iria seguir para esse novo comeback. E eis que com a ajuda de seus fãs por meio de uma vaquinha online, ele me lança um verdadeiro hino.

Não é mais segredo para ninguém que lê essa coluna que eu não sou a maior fã de batidas e sintetizadores tradicionais do pop, mas tem alguma coisa sobre o som abafado do refrão e a vibe meio melancólica por trás dele que faz de Nar_C um projeto que poderia ter dado errado e caído no mesmismo, mas que no fim deu mais do que certo.

Eu não quero falar sobre o MV porque chorei de novo e eu odeio ele por ficar fazendo isso comigo. Mas apoiem Holland, deem views e streams no trabalho dele não só pela representatividade, mas porque ele é realmente incrível.

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