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DAMMIT Entrevista: Clau fala sobre sua trajetória, o sucesso de “Pouca Pausa” e planos futuros

Conversamos com Clau sobre início de carreira, influências musicais, o hit Pouca Pausa e muita mais!


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  • Publicado em 23 de dezembro de 2018

Com apenas 22 anos, Clau já é considerada uma das apostas mais promissoras no cenário musical brasileiro. Com identidade e estilo próprio, a gaúcha traz uma mistura de pop, rap, hip-hop e R&B em suas músicas, som que chamou atenção do público, da mídia e da cantora Anitta, que passou a ser sua empresária. Colhendo os bons frutos de um 2018 brilhante, conversamos com Clau sobre início de carreira, rap, influências musicais, o hit Pouca Pausa — parceria com os grupos Haikaiss e Cortesia da Casa —, e seus planos para o futuro.

DAMMIT: Você é uma das artistas em ascensão no Brasil, como começou sua relação com a música?

Clau: Eu sempre gostei de música, de cantar, de dançar desde criança, mas vindo do interior do Rio Grande do Sul, eu não via muito como uma possibilidade de profissão, então ia levando como hobby e planejando uma vida mais certinha lá, digamos assim.  E fui levando a música paralelamente, gravando vídeo para a internet, fazendo uma coisa aqui, outra coisinha ali, participações com amigos… Até que foi dando certo. Larguei tudo lá (RS) e vim para o Rio de Janeiro, já com contrato assinado com a gravadora Universal Music e bem encaminhada, então eu consegui mesmo focar na música.

D: Como aconteceu esse boom para o Brasil?

C: Esse boom veio nesse ano, desde o começo de 2018. Lancei o meu EP Relaxa no início, e ele teve um resultado bem legal, a galera começou a me conhecer. Mas o principal veio depois, na metade do ano, com Pouca Pausa, que realmente foi um hit. E isso surpreendeu todo mundo, nós fizemos essa música super na brincadeira, num momento descontraído entre amigos e deu super certo, a galera curtiu bastante, acredito que foi o momento mais especial de todos.

D: Como é ser empresariada pela Anitta? Quais foram as mudanças que ocorreram na sua carreira depois disso?

C: A mudança foi enorme, acho que tudo que tem o nome da Anitta se torna maior devido ao poder e a grande influência que ela tem. Então além de ser bom ter essa marca junto comigo, foi muito incrível ela ter enxergado potencial e ter se interessado no meu trabalho. É maravilhoso ter essa oportunidade de poder trabalhar com uma pessoa com a experiência e o alcance que ela tem. A Anitta pôde me mostrar todo esse início de carreira que eu ainda estava conhecendo aos poucos, me mostrou na prática esse lado do processo de compreender o meio musical e tudo o que acontece no business.

D: O seu estilo musical é uma mistura de pop, R&B e hip-hop. Como você chegou a ele e quais foram as suas maiores influências?

C: É o que eu sempre gostei de ouvir. Cresci ouvindo pop, digo Beyoncé, Cristina Aguilera, P!nk, Black Eyed Peas. Acho que essas eram as minhas referências, e no Brasil a gente não ouvia muito, agora começou a surgir muita gente boa fazendo música nessa pegada. Juntamente com R&B 2000, que gosto muito musicalmente. Escutava muito Ne-Yo, Usher, Chris Brown, que são músicas pop, mas que seguem também o estilo do R&B e do hip-hop, tem muita melodia, então dá para explorar muita coisa, e é o que eu sempre gostei. Desde o início do meu trabalho venho me mostrando como artista, mas cada vez mais posso explorar melhor e mostrar mais um pedacinho da minha essência musical e personalidade artística, porém acho que quem me acompanha desde sempre percebe que tudo segue na mesma linha, que essa é a minha vibe desde sempre, que é o que eu gosto mesmo.

D: Como mulher nesse meio do rap, que é majoritariamente masculino, quais foram as suas maiores dificuldades no início?

C: Acho que tive muita sorte, comecei cantando com uma galera do rap muito respeitável na cena, que foram grandes amigos e já chegaram me apresentando como uma pessoa a ser respeitada, como uma pessoa com identidade e personalidade própria. Acho que eu, particularmente, tive essa sorte de não precisar me provar tanto, pois tive pessoas que ajudaram nesse meu início. Mas reconheço que não é com todo mundo que acontece porque realmente é um meio muito machista ainda, mas isso está mudando, com certeza agora tem muitas mulheres que estão mostrando isso, que estão crescendo no rap, e em outros gêneros musicais. O que eu enfrentei foi mais uma questão interna, de aceitação, de confiança, de ir de uma cidade pequena para uma cidade grande e me provar como artista. Mas penso que nessa questão específica do rap, de ter começado cantando nos shows de rap, foi algo que me acrescentou e sou muita grata por ter esse público comigo mesmo não sendo rapper e nem MC, e sim, sendo uma cantora pop. Sinto que essa galera ainda se conecta comigo e me apoia por causa desse meu início e isso é muito bom.

D: Você também é compositora, sempre está envolvida no processo criativo de suas músicas. Qual a importância de escrever o que canta, sendo que no presente não é algo tão comum?

C: Eu acho muito incrível! Por exemplo, o meu primeiro EP Relaxa, foi inteiramente autoral, a música Pouca Pausa já foi uma colaboração com os meninos, mas agora estou gravando as próximas músicas a serem lançadas, e estou fazendo muito mais composição colaborativa, de juntar uma galera e todo mundo ter ideias. Juntar opiniões de pessoas que confio e admiro e poder enxergar a música de diferentes ângulos é algo que me acrescenta muito. Jamais vou abrir mão de participar disso, tanto da composição da letra quanto da produção, mesmo não sendo uma produtora, não entendendo tanto disso, gosto de ficar lá no estúdio e acompanhar tim por tim do trabalho, para sair da forma como que eu quero exatamente, então acho isso muito legal. Quando recebo composições que gosto, de músicas para gravar que já estão escritas, gosto de escrever mais uma parte da música, de mostrar também o meu ponto de vista e acrescentar um verso ou alguma coisa que deixe mais com a minha cara. Eu sempre vou colocando uma pitada de Clau em cada música, não vou nunca lançar nada que eu cante e pronto, tem que ter uma interpretação mais aprofundada da música, ter um significado.

D: Você esperava todo esse sucesso de Pouca Pausa?

C: Não! Com certeza não! Porque a gente fez muito na bobeira, foi num momento de amigos, eu estava no estúdio sem fazer nada, não estava trabalhando e me falaram Clau, canta esse refrão para ver como é que fica!”, então cantei e saiu aquilo. Foi uma surpresa, na verdade a música demorou para ser lançada, ela já estava gravada há um tempo, e nesse meio tempo, nós fomos mostrando para amigos e família, tipo “oh, olha essa música que está para lançar, o que você acha?”, só para saber a opinião da galera e todo mundo amava e já perguntava quando que ela ia ser lançada, assim a gente já tinha uma noção que Pouca Pausa ia dar certo, porque já era a opinião de todo mundo que já tinha ouvido. Mas com certeza a recepção foi muito além do que a gente e do que a gravadora esperava. Tanto no Youtube quanto nas plataformas digitais, ficar nas paradas há um tempão, e nas rádios, que foi orgânico porque começou a ser muito pedida por mais que seja uma música comprida e com muito rap, ela não é tipicamente de rádio, mas teve tantos pedidos que passou a tocar no Brasil inteiro e isso foi uma grande surpresa. Não foi só parar nas rádios, mas também na TV, foi apresentada nos principais programas, então com certeza foi uma surpresa enorme e muito positiva, foi muito legal esse ano. Essa música representou muito e continua representando porque ainda está rolando, está fazendo sucesso, ainda está sendo muito legal trabalhar ela.

D: Como foi trabalhar com os meninos do Haikass e do Cortesia da Casa?

C: Todo mundo já era amigo, a gente sempre cantava no show um do outro, dava uma palinha, e nós sempre falávamos que queríamos gravar juntos, mas ficava naquela de “tá, vamos combinar!” porque somos fã um do outro, a mesma vibe de galera. A gente sabia que ia acontecer, então foi de forma natural, entre amigos, fazendo uma música que gostem, se divertindo e foi a melhor coisa possível essa junção. Eu acho que a galera sentiu essa energia quando nós gravamos, a gente realmente se identificou e curtiu, isso foi muito legal, a nossa relação é muito boa.

D: Recentemente foi lançada Dame Mais do Tropkillaz que conta com a sua colaboração e do Rincon Sapiência. Como foi trabalhar com esses caras e participar da música?

C: Foi muito legal! Essa música é bem diferente, acho muito legal lançar um som dançante, animado, de balada, de pista. Agora perto do verão, a galera vai poder dançar e curtir muito. É muito bacana esse trabalho do Tropkillaz e do Rincon. Essa música o Rincon gravou primeiro e o Tropkillaz teve a ideia de me chamar porque queriam uma participação feminina também e eu já estava vindo da pegada de Pouca Pausa que tem o rap junto. Agora com essa música que é outra vibe, mais dançante, mais pra cima, mas que também traz um pouco do rap. Dessa vez é bem mais pancadão, com reggaeton, dancehall, eletrônica, funk, tudo misturado e saiu uma mistura boa, acho que cada elemento somou super com a música e ficou muito diferente, muito legal

D: Mudando de assunto, é perceptível que você tem muito estilo. Quem escolhe as suas roupas, você ou um personal stylist?

C: Eu tenho uma stylist, ela se chama Ana Boogie e é uma pessoa que me ajuda muito. Também tem muita coisa que é ideia minha, então nós conversamos e ela busca mais recursos e marcas para ajudar a me vestir, é uma parceria. Mas sempre gostei de ter um estilo próprio e agora conforme tenho mais recursos e possibilidades, estou podendo explorar isso melhor porque antes eu tinha ideias, porém ficava um pouco limitada e agora posso trabalhar com várias pessoas e também mostrar mais esse meu lado voltado para a moda, que acho muito legal. Nesse clipe novo (de Dame Mais) dá para ver isso, eu uso vários looks diferentes, houve uma preocupação bem grande em mostrar noções de moda, o que é essencial no gênero pop, principalmente.

D: Voltando a falar de música, você lançou o EP “Relaxa” nesse ano, podemos esperar um álbum completo para 2019?

C: Álbum é complicado porque é grande, acho que ainda não estou no momento de lançar uma obra grande, completa assim, mas tenho muita vontade de lançar um álbum, acho que todo artista tem. No momento a gente está trabalhando nas músicas novas, com certeza em mais músicas solo minhas, sozinha. Estou gravando bastante coisa, finalizando, para no começo do ano a gente poder trabalhar as músicas novas.

 D: E uma parceria com Anitta pode acontecer no futuro?

C: A gente já deu um spoiler que essa música está gravada, mas acho que é uma coisa que nós temos que deixar em aberto, né? Todo mundo pergunta, porém é algo que temos que deixar o futuro responder por nós. Vamos ver o que acontece nos próximos capítulos!

D: Quais são os seus planos para o ano que vem?

C: Estou gravando várias músicas, estamos vendo de que forma iremos lançar elas. O foco agora é gravar música autoral, estou com bastante vontade de mostrar o que venho gravando porque alguns sons estão bem da hora, estou curtindo, este é o meu foco. Também quero começar a fazer mais shows, me aproximar da galera, agora tenho um repertório que é mais próprio, o pessoal está podendo conhecer melhor o meu trabalho, isso é bem legal também para ter essa proximidade com o público. O plano é esse, continuar lançando música sempre, gravar clipes e mostrar o meu trabalho, que vai estar bem legal!

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