“The Bold Type” ensina feminismo sem pregar rótulos vazios Box

Nos deparamos cada vez mais com discursos de marcas, cantoras, filmes e outros tipos de entretenimento que se autointitulam feministas. Pessoas que realmente se importam com a causa que nós, mulheres, passamos todos os dias. Gente que finge que apoia sua companheira do sexo feminino, enquanto a realidade é outra: tá aí o último VMA’s nos mostrando que a falácia passa bem longe da realidade.

É na saturação de representatividade, quando precisamos realmente nos lembrar O QUE É apoio e respeito pelas mulheres, que The Bold Type se inseriu nos últimos meses, ocupando o lugar de Pretty Little Liars na grade da Freeform. Criada por Sarah Watson (Parenthood), o piloto dessa série vai te agarrar nos primeiros 40 e poucos minutos.

Somos apresentadas a três jovens, Jane Sloan (Katie Stevens), Kat Edison (Aisha Dee) e Suttton Brady (Meghann Fahy) no começo de suas carreiras numa revista super conhecida e respeitada, a Scarlet – que faz alusão à Cosmopolitan, uma das principais publicações do segmento feminino nos Estados Unidos.

O que é diferente de todas as outras séries similares? Do looks à la Gossip Girl e o mesmo cenário, Nova York? Primeiramente, essas amigas, diferente de Blair Waldorf (Leighton Meester) e Serena Van Der Woodsen (Blake Lively), REALMENTE se apoiam. Elas brigam, sim, e têm desentendimentos, mas nunca, até o momento, isso foi motivo para sabotar a coleguinha no trabalho ou na vida pessoal, muito pelo contrário.

Todas se reconhecem no erro, pedem desculpa e seguem em frente. É uma nuance da maturidade que todos nós poderíamos aprender um pouco um dia desses.

“Eu queria mostrar o que as amizades das mulheres podem ser, porque sinto muitas vezes que na TV temos shows que são sobre elas e suas amizades, mas o drama sempre vem quando se viram [as mulheres] umas contra as outras. Queria mostrar que podemos enfrentar juntas o drama, porque essas são as amizades femininas que eu tenho. Se o tipo de amizades femininas que você tem são suas amigas contra você, vá buscar novas amigas”, disse Waters em entrevista ao HuffPost.

Outro rompante é a editora chefe da revista , Jacqueline Carlyle (Melora Hardin). Sim, a gente lembra beeeem de Miranda Priestly (Meryl Streep), em O Diabo Veste Prada (2006) e seu jeito mais do que abusivo, desrespeitoso e autoritário com Andy (Anne Hathaway), sua assistente. Logo que a vi já revirei os olhos, pensando que o clichê de chefe sem noção se repetiria. Felizmente eu estava errada.

Ela é perfeccionista e exigente, sim, mas sem nunca ultrapassar as linhas – nada tênues – entre o rigor e a civilidade, que muitas vezes faltam em pessoas que ocupam cargos mais altos. Foi aí que eu percebi: tem algo novo nessa história.

Instigante.

Os episódios a seguir nos mostram a conturbada decisão do presidente Donald Trump em expulsar imigrantes do país. Uma vez que conhecemos a história de alguém é possível criar empatia, assim torcemos para uma artista plástica muçulmana possa continuar nos EUA.

Conhecemos como uma vítima de estupro se sente, ainda muito tempo depois do abuso. Quais são as marcas que isso deixa na vida pessoal e profissional de alguém, e porquê tantas mulheres se calam diante da violência.

Aprendemos a nos impor com um salário que não corresponde ao esforço e capacidade de um profissional, como lutar para que a sua pauta seja escolhida e a amadurecer. E se nem salário você ainda ganha, isso te encoraja a se posicionar em outras situações da vida: na escola, com os amigos. Também aprendemos a amar e a apoiar, acima de tudo, aqueles que bem queremos. Sem julgar.

Vemos como uma menina super hétero se apaixona por outra mulher e precisa lidar com o conflito interno, a sair de sua zona de conforto para entender esse sentimento e saber se, para ela, vale ou não a pena se jogar em novas escolhas.

The Bold Type é sobre escolhas, a forma que a fazemos e como elas nos afetam, para o bem ou para o mal. E, mesmo assim, ensina que a vida ainda pode ser leve e divertida. Que a gente não precisa continuar andando por aí com discursos vazios, que rótulos são apenas rótulos e as palavras não têm a menor força se não estiverem alinhadas com atitudes. É quase uma hora em que podemos esquecer tudo ao nosso redor e fingir que existimos bem ali, naquele mundinho, em que ainda há atritos e decisões difíceis, mas parece ter algum tipo de acolhimento.

Eu me sinto amiga de Jane, Kat e Sutton. Dou pitaco na vida delas, vibro a cada acerto e fico triste com os erros. É assim que se ensina sem precisar estampar, em toda e qualquer parede, que se é feminista. Só precisa ser.

Ainda sem a segunda temporada confirmada, a série aguarda uma posição da emissora, Freeform.

E nós rezamos.

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Postado dia 09 de setembro de 2017

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