Navegue por mentes problemáticas e obscuras em “Lugares Escuros”

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Garota Exemplar foi um dos melhores livros de 2013. A partir dele, o Brasil pode conhecer um pouco do estilo de Gillian Flynn, que, agora, consegue se consagrar no estilo de terror (porque vamos combinar, de romance esse livro não tem nada). Fato interessante, uma vez que Lugares Escuros foi lançado em 2009, quase três anos antes da história de Amy e Nick.

Antes de dar início ao primeiro capítulo de Lugares Escuros, Gillian Flynn apresenta um poema sobre mortes que é entoado por crianças na escola. Com isso, a autora já deixa claro que a obra é um thriller bem perturbante. Depois, somos apresentados à Libby, a única sobrevivente de um massacre horripilante que aconteceu no ano de 1985. Na época, com sete anos, a pequena teve a mãe e as duas irmãs assassinadas de forma violenta em um ritual satânico. Ben Day, seu irmão, foi o principal suspeito do crime e considerado culpado através dos depoimentos da irmãzinha. Duas décadas depois, porém, tudo pode mudar. Ao conhecer um clube apaixonado por investigar crimes, Libby percebe que pode ter cometido um erro terrível.

Aos 31 anos, a personagem se descreve de uma forma bem peculiar: “Tenho uma maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão”. O que é uma coisa interessante de se dizer, já que Libby é a protagonista. Essa é uma das coisas mais legais dos livros de Flynn: nenhum de seus personagens é perfeito. Mesmo assim, suas histórias são tão bem desenvolvidas e ricas em detalhes que é impossível não se afeiçoar por eles. E com Libby não poderia ser diferente. Desempregada, falida e cleptomaníaca, a personagem não consegue se aproximar nem gostar de ninguém.

Os capítulos seguem em duas linhas temporais. Na primeira, Libby Day busca, no presente, respostas para os assassinatos de 1985. Na segunda, o leitor descobre, aos poucos, o que aconteceu na véspera e no dia da tragédia, sob a perspetiva de Patty Day, a mãe de Libby, e de Ben Day, seu irmão. Com isso, é possível entender não só Libby, mas também cada envolvido na história. Nessa temática, começamos a ter pena – e até afeição – por Ben, acusado de matar a família. Estranho? Nem um pouco.

O tom do livro é negro e macabro, o que pode deixar o leitor desconfortável em alguns momentos. Uma curiosidade interessante é que, apesar do tema satanismo ser meio “ultrapassado”, a intenção de Flynn foi retratar as zonas rurais norte-americanas da década de 80, onde o satanismo era, de fato, uma moda. Em contra partida, a autora também fala um pouco sobre bullying, um assunto bem atual no Brasil e no mundo. Por conta disso, as melhores partes são, inacreditavelmente, os flashbacks de 1985, onde passamos a nos simpatizar com a família de Libby – mesmo ela sendo totalmente insana.

Todo mundo sabe que é decepcionante ler um livro que traz grandes mistérios, mas que, no final, apresenta um desfecho comum e previsível. Esse não é o caso de Lugares Escuros. A cada página surge um suspeito, é como se você pudesse enxergar cada um dos personagens na cena do crime, cometendo aqueles assassinatos. Isso só acontece porque a história é bem construída desde a primeira página – e não se engane, Flynn não escolhe simplesmente uma pessoa como culpada. O final surpreendente se desenrola desde o começo, mas de uma forma bem sutil.

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Postado dia 07 de junho de 2015

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