Por que assistir (ou não) “Os Oito Odiados”?

Os Oito Odiados cover

Assim que Quentin Tarantino anunciou o filme Os Oito Odiados, não gostei. A única coisa que vinha à cabeça era apenas uma reciclagem do cenário e personagens do ótimo antecessor do diretor, Django Livre. Sem ter visto nada além do cartaz, a duração e elenco, parei no cinema para assistí-lo e me surpreendeu tanto em aspectos positivos quanto negativos.

A primeira informação que você precisa saber é que o filme tem 3h7min de duração, o que é bem incomum. Seu gênero não pode ser melhor descrito como Tarantino, uma mistura de comédia, drama e suspense, que ganha contornos no cenário western durante a uma tempestade de neve. Em suma, a trama da película se passa em uma alojamento para viajantes durante uma nevasca, onde oito pessoas se encontram de alguma forma presas por lá. Isso seria o suficiente para mais de três horas de filme? Aí é você quem decide.

Quem acompanha o trabalho do diretor (e escritor) de perto sabe que ele nos ganha pelos diálogos, e, no atual filme, não é diferente: são diversos minutos de diálogos em que os personagens trabalham em seu desenvolvimento pessoal e até quebram a quarta parede. De começo, isso faz com que a trama geral se arraste até, finalmente, chegar em um clímax. Porém, todos os atores, sem exceções, seguram o enredo de forma única.

Temos Kurt Russell, Walton Goggins e até Channing Tatum juntos. Para pessoas como Samuel L. Jackson, seu papel pode ser apenas mais um parecido com outros que o ele já fez, mas Jennifer Jason Leight se destaca no meio de todos, não por ser a única protagonista mulher, mas sim por um trabalho tão fantástico que concorreu a Melhor Atriz Coadjuvante no Globo de Ouro de 2016 – que acabou ficando para Kate Winslet pela atuação em Steve Jobs. Mas uma notícia meio tristonha para os fãs do diretor é que o filme não é o banho de sangue que esperávamos. Comparado a outros filmes, a quantidade de sangue nesta obra é apenas um ou dois baldes. Isso não é ruim, mas com certeza irrita algumas “Tarantinetes” de plantão.

Falando de tecnicalidades, a equipe não deixa a desejar: fotografia, direção de arte e trilha sonora (ganhadora do Globo de Ouro de Melhor Trilha Original) caem como uma luva durante o filme, o que poderia ser um espetáculo visual se fosse mais bem aproveitado em cenários mais diversos e amplos do que os apresentados, como em lançamentos anteriores.

E aí nos vem à cabeça: Tarantino fez oito filmes, contando com Os Oito Odiados, e dos outros podemos facilmente citar Pulp Fiction, Cães de Aluguel, Bastardos Inglórios, Kill Bill I e II, À Prova de Morte e, o já comentado, Django Livre. Por lembrança, a grande maioria deles parece bem melhor do que a atual película do diretor. Não me leve a mal, apesar de ter dito no começo que não gostava da ideia do filme no início do texto, depois de assistí-lo, acabei adorando, mas existe um problema que não pode ignorado. Mesmo sendo uma produção exemplar em desenvolvimento de personagens, pondo à prova do cinema atual, Os Oito Odiados acaba sendo o tipo de filme bom que continua na sua cabeça até você assistir a um próximo filme bom.

E, depois de assistir ele, saímos com a impressão de ser apenas mais um filme na “fórmula Tarantino” , sem nenhuma outra novidade. O ponto é: nessa fórmula, temos obras muito melhores. Os Oito Odiados já se encontra em cartaz no cinema, com a classificação indicativa para maiores de 18 anos.

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Postado dia 12 de janeiro de 2016

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