“Jurassic World” tem mais dinossauros e qualidade técnica que uma nova história

Jurassic World - topo

They’re dinosaurs; that’s “wow” enough.

–Owen

O filme não é ruim. Não. Acho que seja quase longe disso. Mas isso não quer dizer que Jurassic World não deixou a desejar.

Devo destacar aqui, que se você ainda não o foi assistir, vá em uma sala IMAX. A qualidade da imagem, do som e o fato do filme ter sido realmente gravado com câmeras 3D e não transformado em 3D, faz com que a qualidade técnica do longa seja surpreendente. Fiquei encantada com a quantidade de detalhes e o visual maravilhoo de Jurassic. Mesmo após Os Vingadores e San Andreas este ano, este filme me fez querer aplaudir de pé pelos efeitos especiais.

Agora… Se você tem medo de dinossauro, nem queira passar perto de uma sala IMAX. Bom… Na realidade é melhor nem ir, porque o que mais tem nesse filme é isso. Dinossauros. De 2 horas inteiras de filme, no mínimo 1 hora e 30 minutos é dinossauro. Dos mais variados tipos, modelos, tamanhos, histórias e motivos para existirem ali no parque da ilha Nublar. E talvez seja por isso que todo o resto fora esquecido.

O roteiro do longa é particularmente fraco e copião. A cada segundo do filme eu poderia ver algo que me remetesse ao original de 1993. A começar pelos personagens. Vincent D’Onofrio é o funcionário ganancioso, Chris Pratt e Bryce Dallas Howard o casal que precisa salvar todo mundo e as crianças, Ty Simpkins e Nick Robinson são os irmãos que se perdem e precisam se virar sozinhos. Bom… Se você assistir ao clássico de 93 e ao Jurassic World irá entender o que quero dizer.

Mas a questão do roteiro nem fica apenas na mesmice do primeiro. O desenvolvimento dos personagens é, ok, é nulo. É possível captar uma história, uma característica psicológica de algum personagem em um trecho ou outro do filme mas no geral, não nos é dado absolutamente nada. Que Claire (Bryce) é afastada da família e focada no trabalho nós entendemos, mas quem é ela? Como foi o início do relacionamento dela com o Owen (Pratt)? Fora todas as outras milhares perguntas que são simplesmente não respondidas. O que eu senti ao final do filme, foi que eu sabia mais sobre os Velociraptors do que qualquer personagem humano.

Jurassic World - meio2

Não querendo prolongar sobre as falhas do roteiro, mas já o fazendo, o personagem de Chris Pratt por exemplo. Owen é o cara do parque, é isto que o filme quer mostrar. Ele é o alfa dos Velociraptors, ele está ‘adestrando’ os dinossauros, ele possui uma antiga paixão pela Claire e ele é teoricamente o fodão (com desculpa ao palavrão) dali. Mas por quê? O roteiro não constrói o personagem Owen e fica parecendo até má interpretação de Pratt. Mas não é. É que tudo o que nos é passado durante o filme não demonstra o que eles desejam passar. Não se sabe nada sobre o passado, como ele chegou ali, como foi o começo da relação dele com ‘seus animais’ ou por que dele ser o cara. Não se tem absolutamente nada sobre Owen, então simplesmente não é possível ver ele como o grande salvador que ele deveria ser no fim das contas.

Pena.

Já a qualidade da direção do novato Colin Trevorrow  foi o que me deixou de queixo caído, até que alguém me disse “este filme é completamente Steven Spielberg”. Não! Isso não é ruim. De jeito algum. Quer dizer. Ficou meio óbvio a participação constante do diretor do original e atual produtor executivo na direção e tomadas, mas isso não é ruim, principalmente se você pensar que Colin já falou algumas milhares de vezes o quanto ele é fã do Steven. Cada um cria um estilo e não me surpreenderia que o estilo dele fosse apenas idêntico ao de Steven, mas não acho que este seja o caso.

Tirando estas coisas ruins, que eu espero que sejam corrigidos na sequência o filme é de fato muito bom. Sim, eu espero que o quinto filme da franquia me conte mais sobre Claire, sobre Owen, que o engraçado do Lowery esteja de volta e que o futuro do Dr. Henry Wu seja mostrado. O filme é um blockbuster e os números estão aí para isso. Mas se você espera encontrar narrativas aprofundadas, explicações para eventos cabulosos e personagens bem desenvolvidos. Esquece.

Agora, se você está pela diversão, para ficar tenso na cadeira do cinema por mais de uma hora, se quer ver algumas pessoas sendo devoradas e uma briga de gigantes. Vá em frente. Este é o filme. Ele não te deixará entediado e apresentará cenas perfeitamente encaixadas de humor, romance e drama em meio ao filme. Você sairá do cinema estasiado, porque apesar de todos os defeitos perceptíveis ao longo da narrativa, os elementos técnicos e tudo o que envolve dinossauros é surpreendente.

Nada se compara ao primeiro filme, porque no fim, ele tinha o elemento wow de apresentar os dinossauros tão reais como apresentou, pela primeira vez. E talvez seja por isso que o tradicional T-Rex tenha me assustado muito mais que a grandalhona Indominus Rex me assustou. De qualquer forma, Jurassic World é um bom filme e que vale a pena ser visto no cinema. Os problemas não atrapalham a diversão muito menos descreditam a qualidade técnica apresentada.

Minha nota é na realidade 3,5. Nem bom o suficiente para receber um 4, nem tão mediano para ganhar um 3.

E só pra lembrar:

Jurassic World - meio

Trailer

 

 

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Postado dia 15 de junho de 2015

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