“Cinquenta Tons de Cinza” tem ares de comédia romântica, boa qualidade técnica e roteiro ruim

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Cinquenta Tons de Cinza, um dos filmes mais esperados do ano, faz sua estreia no Brasil amanhã (12). O longa, que promete mexer com a cabeça das mulheres, é baseado no livro homônimo de EL James.

Anastasia Steele é uma jovem, virgem, que espera para se entregar ao homem dos sonhos. Seu grande amor. A mocinha conhece Christian Grey, um bilionário poderoso que ao longo da história revela seu grande segredo: é praticamente do sadomasoquismo. Não curte romance. “Não faz amor, fode com força”, nas palavras do mesmo.

O roteiro de conto de fadas sexual de EL James, conquistou o público feminino mundo a fora nos últimos anos. Partindo do princípio de que vivemos em uma sociedade onde as mulheres são reprimidas sexualmente, o sucesso da trilogia literária é compreensível. E o estouro da adaptação nas bilheteria é iminente.

Afinal, quem não leu Cinquenta Tons de Cinza, deve sucumbir a curiosidade e comprar seu ingresso. Nem que seja naquela sessão escondida, depois da meia-noite. E, óbvio, os fãs da trilogia, vão lotar os cinemas. A este público, os fãs, digo sem medo: vocês sairão da sala satisfeitos. A adaptação é realmente fiel ao livro.

Quando digo fiel, é no sentido de que todos os elementos da obra literária estão ali. Os movimentos repetidos – vulgo a irritante mordida nos lábios de Anastasia. As frases clichês. Os diálogos fracos (quase infantis). E, o mais importante, a falta de uma narrativa convincente. Claro que, aquela essência que fez com que os fãs se apaixonassem pela saga, também deve se fazer presente aos olhos deles.

Christian Grey passou fome e foi negligenciado na infância. Possuí feridas. Traumas. Essas informações são mostradas ao público de forma tão rápida, que são incapazes de sensibilizar. Os dramas superficiais de Grey e Ana, em momento algum, conseguem causar empatia no público.

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É importante frisar, no entanto, que Jamie Dornan e Dakota Johnson cumprem seus papeis. A falta de profundidade dos personagens é culpa única e exclusiva do roteiro. Assim como Sam Taylor-Johnson (O Garoto de Liverpool), que é uma ótima diretora e executou seu trabalho com eficiência, dentro das limitações impostas.

O principal problema de Cinquenta Tons de Cinza é o enredo baseado na literatura pobre de EL James. A autora é a grande responsável pela fragilidade do filme, que ainda assim consegue ser melhor  do que o livro. Na verdade, as atuações, a direção, a fotografia e a trilha sonora – que é ótima, diga-se de passagem – nunca deram indícios de que seriam grandes obstáculos na produção do filme. A qualidade técnica do longa, inclusive, deve ser ressaltada.

As cenas de sexo, por exemplo, foram uma surpresa positiva. São bonitas esteticamente e propositalmente mais leves do que no livro, visando atingir um lucro ainda maior nas bilheterias com uma classificação etária mais baixa. Funcionou. E, apesar de Christian e Ana ficarem devendo na tensão sexual durante o filme, algumas cenas conseguem atingir um resultado positivo, como a sequência em que os personagens discutem o contrato do dominante e suas cláusulas (provavelmente a melhor cena do filme).

Mas mesmo com esses bons momentos isolados e o esforço da diretora Sam Taylor-Johnson, o filme não engrena. Cinquenta Tons de Cinza é uma comédia romântica soft porn de roteiro ruim. E com as adaptações dos outros dois livros da trilogia já confirmadas, o jeito é torcer para que a literatura de EL James desapareça cada vez mais nos roteiros dos futuros longas.

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Postado dia 11 de fevereiro de 2015

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