O que aprendemos com “Os 13 Porquês”? Cover

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Este post pode conter alguns spoilers ♡

A vida de Hannah Baker, interpretada por Katherine Langford, foi mudada completamente pelas atitudes das pessoas que a cercaram, a machucaram e contribuíram, de certa forma, para o seu suicídio. Na adaptação lançada na última sexta-feira, 1°, pela Netflix, é possível ver exatamente o que NÃO se deve fazer com alguém. Seja na escola, no trabalho, ou, principalmente como essa geração pratica diariamente, na internet. Muita gente não chega a tirar a própria vida, mas não por isso as cicatrizes do que sofrem são pequenas ou inferiores. Saúde mental é importante e deve ser levada em consideração, conforme já discutimos abertamente em outra ocasião.

Ninguém precisa de mais um dedo apontado na cara, de ser rechaçado e julgado pelo que é ou pelo que acham que essa pessoa é. Por ficar com muitos caras, ter gostos variados, ser homossexual ou ter uma personalidade diferente do “normal”. Afinal, o que é normal? Se encaixar no que todo mundo preza? O Brasil ocupa o 8° lugar de países com mais suicídios e stá na hora de começar a mudar isso!

Os 13 Porquês veio para nos fazer pensar e repensar as nossas atitudes, melhorar. A morte de Hannah Baker não terá sido em vão se cada um colocar ao menos um aprendizado em prática. Falar abertamente de suicídio e o que o causa não pode e nem deve ser um assunto proibido, como ainda acontece. Ignorar o problema só piora.

1 – Ter empatia pelo próximo

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Todo mundo que você conhece está lutando uma batalha a qual você não sabe nada sobre. Seja gentil. Sempre.

Aquilo que para você não significa nada pode ser muito para outra pessoa. As suas brincadeiras, o jeito como você se porta e até a sua tolerância. Fazer o exercício “como será que fulano vai se sentir?” ou “será que eu gostaria que fosse comigo?” irá te fazer repensar algumas atitudes. Preciso mesmo repostar um vídeo de pessoas sendo mortas, estupradas ou em condições subumanas? É realmente necessário comentar palavrões ou palavras machistas nas fotos dos meus amigos, dos meus ídolos, das pessoas com quem não tenho muito contato na escola? O que eu ganho disseminando ódio? Será que eu iria gostar que alguém fizesse isso comigo?

Isso se chama empatia: se colocar no lugar do outro.

2 – O que as pessoas pensam de você é problema delas…

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É impossível controlar o que pensam de nós, cada um tem a sua verdade mesmo que ela não seja, de fato, absoluta. Foi o que Tony disse para Clay, enquanto ele ouvia sua própria fita sobre os eventos que Hannah descrevia. Nem tudo que escutamos aconteceu exatamente da forma que foi propagado, cabe a nós próprios filtrar e lidar com a informação. No fundo, o que pensam de você não é da sua conta, não vai te fazer diferente. Confie no que você é e no que acredita. O resto eventualmente vai se tornar isso… resto.

3 – … mas as suas atitudes dizem muito sobre quem você é.

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Aqui sim é da sua responsabilidade. Revidar? Escutar calado? Pagar na mesma moeda? O que você faz é o que vai te mudar, mostrar como você realmente é. Clay buscou justiça com as próprias mãos ao enviar uma foto de Tyler pelado para a escola inteira. O que ele fez foi exatamente se igualar aos outros, porque existiam outras formas de lidar com a questão. Voltamos, então, ao primeiro tópico: será que eu gostaria de ver uma foto minha pelado rodando pela escola inteira? Das suas atitudes não há como fugir e elas dizem tudo sobre você.

4 – Não significa NÃO!

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Isso precisa melhorar.

Infelizmente muita gente ainda não compreende essa frase tão simples, mas não custa repetir sempre que possível: não é talvez, não é um sim disfarçado, não é um “jogo” de sedução ou qualquer outra coisa, é NÃO. Não para brincadeiras, para assuntos delicados, para assédios verbais, físicos e sexuais. N-Ã-O. Respeite o tempo e a posição do outro, ninguém é obrigado a fazer o que você quer e no tempo que você acha que deve ser. Não significa não.

5 – A culpa não é da vítima. Nunca!

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Por que você não me disso isso quando eu estava viva?

Certamente esse foi um dos momentos que mais me deixaram tristes assistindo a série. O conselheiro estudantil insinuando que Hannah pode ter sido abusada porque “deixou”, que a vítima teria facilitado, de alguma forma, qualquer tipo de assédio. Infelizmente é assim mesmo que vemos na realidade, tanto com a jovem que foi estuprada por mais de 30 meninos, no ano passado, aqui no Brasil, quanto Amber Heard, reconhecida mundialmente, que, mesmo comprovando as atitudes agressivas e abusivas de Johnny Depp, ainda assim teve a agressão justificada porque “mereceu”, já que só queria fama e dinheiro do ex-marido, segundo fãs fervorosos do ator.

Será que cada mulher agredida no Brasil a cada 5 minutos também pede por isso, todas elas? As crianças, adolescentes e mulheres vestidas da cabeça aos pés pedem para ser sexualmente abusadas? A culpa é delas? As pessoas que sofrem bullying gostam de estar nessa posição? Pense. Ninguém se colocaria de vítima por querer, portanto não deve ser culpada ou justificada pelo seu agressor ou qualquer situação que seja.

6 – Saúde mental importa e deve ser cuidada como qualquer outra doença

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– E você vai me ajudar?

– Sempre.

Hannah foi taxada diversas vezes por rainha do drama, exagerada. Será mesmo? Ninguém se importou com os conflitos com os quais ela estava lidando, como todos os acontecimentos a impactaram e mexeram com a sua saúde mental. Mesmo tendo pedido por socorro, não só uma, mas várias vezes, ninguém a deu ouvidos. O tratamento para esses transtornos são mais complexos que apenas tomar um remédio e descansar, é mais trabalhoso e profundo, exatamente por isso devem SEMPRE ser levados em consideração. A constante melancolia – que pode desencadear depressão -, ansiedade e transtornos compulsivos podem se desenrolar em outros problemas mais sérios, que vão desde crises até o extremo ponto de suicídio.

Se você tem algum tipo de problema ou conhece alguém que sofre de precisa de ajuda, procure um profissional e/ou encoraje essa a pessoa a pedir ajuda. Não há nada de errado, feio ou vergonhoso nisso. Há pouco tempo foi inaugurada a linha telefônica do Centro de Valorização a Vida (CVV) em parceria com o Ministério da Saúde, que atenderá ligações feitas pelo número 188, gratuitamente. Enquanto não é disponibilizado amplamente em todo o país, mesmo assim, você já pode entrar em contato pelo 141, Skype, e-mail ou chat online no site da instituição. Não é preciso nem sequer sair de casa para ser ouvido.

De acordo com o The Huffington Post Brasil, desde a estreia da série, a procura por ajuda no CVV aumentou em mais de 100%, sendo que 25 casos citaram abertamente a influência de Os 13 Porquês na ação. Nós queremos continuar encorajando esse comportamento! <3 A Netflix também disponibilizou um hotsite especial com contatos de organizações pelo mundo, para quem precisa de um apoio especial.

7 – Denuncie

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A gente só pode mudar as taxas de violência, suicídio e bullying de duas formas: transformando atitudes e denunciando. Não tenha vergonha, deixar um agressor passar ileso só propicia novos ambientes para que abusos continuem acontecendo. E se você presencia alguma situação também pode tomar partido dela, fazer algo, ter uma posição. Isso precisa melhorar. Para crimes virtuais (pedofilia, genocídio e preconceitos), existe uma entidade que registra esses tipos de casos (clique aqui). Não divulgue e propague links, faça uma denúncia. Bullying, racismo e discriminação são crimes e devem ser tratados como tal. Não vire as costas, não deixe para lá. Por mais que você “supere” o que aconteceu, novas pessoas podem passar pelo mesmo que você.

8 – Você não está sozinho <3

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9 – Não seja um porquê.

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Postado dia 08 de abril de 2017

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