Hollywood em Foco: os anjos malvados do cinema Cover

Até que ponto o comportamento de uma criança pode ser venerado ou condenado? Existe uma idade certa para que ela responda legalmente por seus atos? Bom, todos nós nascemos com traços psicóticos, em menor e maior grau, dependendo do indivíduo. E com a psicopatia – por mais chocante que pareça – não é diferente. Portanto, este é um fato concreto e verdadeiro: crianças são capazes de mentir, manipular, ferir e até matar.

No cinema, o tema foi abordado de diferentes formas e em diversos gêneros, do drama ao terror. Um dos exemplos mais famosos é o filme A Orfã, com Isabelle Fuhrman, que por ser um filme de terror, acaba mudando o rumo do que até então havia sido mostrado ao público (quem assistiu, sabe do se trata). Mas de qualquer forma, Esther é um dos rostos que melhor representam a psicopatia infantil no cinema.

Um dos maiores massacres dos últimos tempos também ganhou filme e documentário. O tiroteio na escola Columbine, causado por dois adolescentes de 16 e 17 anos, gerou uma enorme discussão sobre o contato de crianças e jovens com armas de fogo nos Estados Unidos. Elephant, de Gus Van Sant, reencena os últimos passos dos estudantes mortos no ataque.

No Brasil, o diagnóstico de psicopatia só pode ser dado após os 18 anos. Antes disso, crianças e adolescentes que apresentam traços e características de um psicopata em potencial, são diagnosticadas com transtorno de conduta. A personalidade ainda está sendo formada, o que, segundo especialistas, facilita a recuperação do indivíduo. Mas esse processo não nada fácil. Abaixo, listamos alguns dos filmes que melhor abordam o tema. Confira!

O Anjo Malvado (1993)

Um dos mais famosos do gênero e, provavelmente, o que melhor consegue captar a psicopatia infantil em sua essência, O Anjo Malvado exibe a facilidade com que uma criança consegue manipular todos ao seu redor. Um drama psicológico que mostra Macaulay Culkin – uma das crianças mais queridas do cinema – pela primeira vez em um papel de antagonista, cometendo atentados contra a própria família. Elijah Wood também faz parte do elenco.

Boy A (2007)

Boy A, infelizmente, nunca chegou ao Brasil. O filme conta a história de Jack Burridge, personagem brilhantemente interpretado por Andrew Garfield em sua fase adulta. Jack, ainda criança, foi um dos responsáveis por um crime que chocou o país. Depois de passar mais de 15 anos preso, ele tem a oportunidade de sair da cadeia com uma nova identidade e a esperança de um recomeço. Boy A mostra o outro lado da moeda. A tentativa de redenção e a dificuldade de recuperação e aceitação da população em casos extremos como esse.

Almas Gêmeas (1994)

Almas Gêmeas traz a incrível Kate Winslet, ainda novinha, interpretando Juliet, uma menina rica que se muda para a Nova Zelândia e conhece a perversa Pauline (Melanie Lynskey). As duas se tornam inseparáveis, numa relação extremamente íntima e obsessiva, até que os pais de Pauline decidem proibir a amizade acusando as meninas de manterem uma relação homossexual. Pauline então começa a planejar o assassinato da mãe com ajuda da melhor amiga. A chocante história é baseada no assassinato de Parker-Hulme, que aconteceu nos anos 50. As meninas tinham entre 13 e 15 anos na época do crime.

Um Crime Americano (2007)

Outra história baseada em fatos reais, do tipo que é preciso ter muito estômago para conseguir acompanhar, é Um Crime Americano. Triste, perverso e completamente doentio, o filme conta a história de Sylvia (Ellen Page) e sua irmã Jennie (Hayley McFarland) que são deixadas na casa de Gertrude (Catherine Keener) para que os pais possam trabalhar. Sylvia sofre as mais terríveis atrocidades nas mãos de Gertrude, mas o comportamento doentio se extende aos seus filhos, que participam de atos de tortura e terrorismo contra Sylvia. Pior: isso tudo realmente aconteceu, e claro, não terminou bem.

Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)

A abordagem desse filme é extremamente interessante. Não existe algo que possa ter desencadeado o transtorno de conduta em Kevin. Ainda bebê, ele já não demonstrava empatia ou afeto pelo pai, muito menos pela mãe, Eva (Tilda Swinton). Crescendo, fica perceptível o distanciamento entre Kevin e Eva, mas não por falta de tentativa da matriarca da família. Kevin nasceu assim e dificilmente ele escaparia de um fim trágico. As atuações de Tilda e Ezra Miller são fantásticas! Sem dúvidas, um dos melhores filmes do gênero.

Será que as pessoas nascem assim ou são apenas produto do meio em que foram criados? Por mais difícil que seja de aceitar, a tentativa de reestruturação de conduta nem sempre tem êxito. Moldar essas crianças e adolescentes para a sociedade é uma saída um tanto arriscada, uma vez que seus instintos devem se manifestar  hora ou outra. E, sim, o tema é incômodo e causa aversão, mas a abordagem no cinema é extremamente importante.

E aí, faltou algum filme na lista na opinião de vocês?

Curta o DMT no Facebook e receba notícias diretamente em sua timeline.

Tags

Escrito por
Postado dia 20 de janeiro de 2014

Comentários

DAMMIT.com.br © 2012 - 2014    —    Alguns direitos reservados