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DAMMIT Entrevista: Selva fala sobre seu novo single “Amanhecer”, identidade musical e próximas parcerias

Conversamos com o duo formado por Pe Lu e Brian Cohen sobre música, carreira e planos futuros. Confira!


Formado por  Pe Lu e Brian Cohen, o duo Selva vem conquistando cada vez mais seu espaço no cenário musical. Criado há três anos, os DJs têm como sua identidade trazer em seus trabalhos diferentes sonoridades, mesclando instrumentos como guitarra, violão e bateria com equipamentos de discotecagem. Essa receita musical ousada deu certo e apesar do pouco tempo de carreira, o Selva já colhe os frutos de seu ótimo trabalho. A dupla possui milhões de visualizações em seus vídeos e de streamings nas plataformas digitais, além de contar com colaborações importantes com Alok, Clubbers e Vintage Culture.

Recentemente, o Selva lançou a faixa Amanhecer, canção que marca uma nova fase do projeto. Tivemos a oportunidade de conversar com Pe Lu e Brian sobre o novo lançamento, música, planos para o futuro e muito mais! Confira a entrevista completa:

DAMMIT: O mais novo single de vocês é Amanhecer, música que tem como conceito a demonstração da liberdade. Como vocês desenvolveram essa ideia e qual mensagem vocês querem passar através dessa faixa?

Pe Lu: Essa música foi um desafio para a gente. Nós queríamos muito escrever em português, já tínhamos feito vários lançamentos em inglês, então queríamos ter algo em nosso idioma. Portanto, sentamos para compor em português para o Selva pela primeira vez e apanhamos um pouco para achar o tema “perfeito”. A canção é sobre aquele momento da festa eletrônica em que você espera amanhecer para ver se ela vai seguir por mais tempo. A gente considera esse um momento muito decisivo da noite, porque você ou vai embora ou vive alguma coisa muito boa, decide ficar até o fim ou até depois que o sol nasce. Amanhecer é meio que sobre quando esse momento dá certo, você está ali com uma pessoa legal, com amigos bacanas, vivendo um bom momento e vão ver juntos o sol amanhecer, essa renovação de energias. Então, é uma faixa good vibes, para tocar em festas de música eletrônica e para viver essa situação, que a gente já teve a oportunidade de vivenciar algumas vezes e foi muito legal.

D: Como foi o processo de composição, de criação de Amanhecer? Quanto tempo levaram para finalizá-la?

Brian Cohen: Amanhecer é uma música que a gente escreveu há muito tempo. Ela tinha ficado na espera, pois estávamos buscando alguém para cantá-la. Então, uma vez gravamos ela comigo cantando e o Pedro também, parte de como a faixa é hoje, e achamos que ficou muito interessante, mas acabamos deixando um pouco parado, pois experimentalmente era um lugar que a gente não tinha muita certeza. Porém, quando a gente foi selecionar uma música junto com a nossa gravadora, escolher qual seria o nosso primeiro single lançado por eles, mostramos Amanhecer por último. Nós estávamos levantando para sair e falamos “Pô tem mais uma música, vamos ouvir essa aqui” e eles curtiram pra caramba, assim a gente finalizou Amanhecer, terminamos ela rápido, mas a canção só veio à tona um pouco depois.

D: O clipe de Amanhecer já ultrapassou 1 milhão de visualizações em pouco tempo e continua crescendo a cada dia. Vocês estão acompanhando a recepção do público?

 PL: Sim, a gente acompanha muito (risos)! Nós ficamos o dia todo em cima das coisas, do que está rolando ou não está rolando. A gente está muito feliz mesmo. Com certeza, parte disso é resultado desse trabalho em conjunto com a Universal Music Brasil, com o nosso escritório, com todo mundo que trabalha com a gente, não é um trabalho sozinho, só meu e do Brian. Nós estamos muito felizes das pessoas estarem se identificando com a música.

D: Vocês esperavam todo esse feedback positivo?

BC: Não (risos)! Estávamos muito ansiosos, pois esse lançamento foi o mais organizado que já fizemos em relação à assessoria, planejamento, música, clipe, etc. Quando a música foi divulgada, a gente estava com uma expectativa muito otimista, porém nem tanto em relação ao clipe. E ele teve uma melhor performance do que as outras plataformas digitais, e isso nunca tinha acontecido com a gente. Geralmente somos melhores nas outras plataformas do que com os clipes. Então, foi bem legal o lançamento no geral, nós recebemos muitos elogios sobre o vídeo e isso é muito importante para a gente.

D: Vocês podem contar um pouquinho sobre como foi a produção do clipe? Que história quiseram mostrar, a incrível fotografia e a parceria com o Filipe Nevares?

PL: O Nevares trabalhou com a gente por quase dois anos como fotógrafo do Selva, só que nós nunca tínhamos feito um clipe juntos, e ele começou a dirigir videoclipes. Era um namoro que a gente já tinha. Então, nós resolvemos fazer algo juntos e foi muito legal ter feito o vídeo dessa música, porque a ideia de Amanhecer era mostrar um pouquinho de como nós somos ao vivo, do que o Selva faz, essa mistura de guitarra e violão. E o Nevares foi um cara que rodou muito com a gente, acompanhou o nosso começo, acredito que por isso ele conseguiu passar tão bem a mensagem. Nós vimos o resultado e falamos “Caramba! Que legal, é isso! Isso é o Selva!”. Imagino que vai ser legal para que as pessoas que não conhecem o Selva vejam, e as que conhecem, mas nunca foram ao show, possam ver um pouquinho online.

D: O Selva envolve diferentes influências sonoras, não se prende apenas em “música para balada ou rave”, vocês conseguem transitar para o mundo pop, por exemplo. Qual é a importância de não se apegar apenas em um gênero musical diante do cenário atual?

BC: Eu e o Pedro viemos de outro gênero musical e nós gostamos muito de poder fazer coisas diferentes, pois muitas vezes curtimos algo que não é do mesmo estilo. Portanto, a gente fica muito animado de poder misturar elementos, diferenciar uma coisa da outra durante a carreira. O mundo eletrônico veio com essa possibilidade de poder fazer um material mais pop, mais radiofônico. Hoje em dia, o pop tem muitos elementos eletrônicos. Vários artistas da Europa, dos Estados Unidos, lançam canções pop como The Chainsmokers, Martin Garrix, o próprio David Guetta, Calvin Harris. Tudo isso dá um gás para a gente fazer trabalhos diferentes, porque nunca enche o saco, é sempre legal, o céu é o limite. Hoje, a gente pode estar na vibe de fazer uma música para arregaçar na pista, pesadíssima, para fritar, e no outro nós queremos fazer uma faixa pop, com uma letra com um refrão e rola também. Então, nós, graças a Deus, sabemos fazer as duas, estamos cada vez mais se aperfeiçoando em fazer isso. É muito gratificante!

PL: O que mais faz a gente se apaixonar pela música eletrônica é o fato dela te dar a possibilidade de misturar coisas. Creio que desde o começo a gente olhou para ela como uma zona livre, mais livre do que é o rock’n’roll, do que outro estilo, para você simplesmente misturar tudo. Você pode trazer um cantor de rap e colocar dentro da música eletrônica, pode trazer uma banda, uma dupla sertaneja. Realmente acredito que cabe tudo, e isso é muito legal para quem faz música, quem produz. É incrível você poder olhar e falar “Cara, quero fazer o que eu quero fazer!” e de alguma forma vai dar certo, não vai ficar incoerente. Então, é muito legal para a gente como produtor poder fazer música eletrônica, porque nós nos sentimos muito livres para experimentar e criar.

D: O destaque do Selva é justamente a junção da música eletrônica com o diferencial de envolver guitarra, bateria e outros elementos, o que não é muito comum em um set padrão de DJs. Quando vocês formaram o duo, vocês já tinham em mente que o projeto teria essa premissa?

PL: Não, a gente não tinha, porque nós conhecíamos muito pouco de música eletrônica. De verdade, nós começamos essa história com ingenuidade. Fomos em uma festa, curtimos muito o que rolou lá e falamos “Nossa, vamos tentar produzir isso?”. E a gente apanhou muito (risos) e dentre as porradas que tomamos nós estamos conseguindo construir a nossa identidade. O Selva não nasceu com essa premissa de colocar instrumentos em música eletrônica, até porque não sabíamos se tinha alguém que fazia isso e se não tinha, como isso era feito e como não era. Então, o Selva é uma construção que a gente segue colocando tijolinhos e que cada vez vamos criando a nossa identidade, e penso que ela não está pronta ainda. Estamos em processo de descoberta e ele tem sido muito legal e tem dado resultados como Amanhecer, por exemplo, o qual imagino que até agora é o que mais demonstra o que é o Selva mesmo.

BC: Nós não sabíamos que a música eletrônica tinha outras características que são diferentes dos outros gêneros. Ela é muito original e também tem bastante vertentes. Então, começamos a escrever as canções e achamos que era assim que se fazia. E vindo do nosso background, a gente trabalhou como se estivesse fazendo música para uma banda de rock, pop. Ao longo do tempo fomos nos aperfeiçoando dentro da roupagem de como a gente queria a faixa. A própria Amanhecer é uma canção pop, voz e violão, e transformamos ela em um lance que cabe no mundo eletrônico e do pop.

D: É inevitável não lembrar do Pe Lu na banda Restart. E o Brian também é músico e compositor há anos, até mesmo antes do Selva. Vocês sentem que amadureceram musicalmente desde que formaram o duo?

BC: Com certeza! Mais do que nunca! Pois estamos aprendendo muito, eu e o Pedro tivemos que aprender bastante. Para muita gente na música eletrônica é muito difícil fazer pop, fazer uma letra, algo mais melódico, e para nós essa é a parte em que ficamos mais à vontade. Por outro lado, músicos de pista agregaram conhecimento de programas, como se produz em softwares e tudo mais, de como você compõe de uma forma diferente, de uma maneira que se confia, como é compor uma faixa no computador, por exemplo. Isso foi me evoluindo muito como compositor, como produtor, como tudo, porque tivemos que aprender na marra. Acabamos chegando em um lugar que percebemos que só beneficiou todos os nossos lados como músicos, pois se tornou muito versátil e dinâmico. Então, eu pessoalmente sou muito grato ao Selva, porque me empurrou, me puxou, me forçou a um tipo específico de evolução que serviu muito para até produzir os artistas com que trabalho, compor coisas diferentes que faria de uma forma normal, com violão, etc. Com certeza a gente evoluiu muito!

PL: Amadurecemos muito, muito! A música eletrônica dá abertura para experimentar, trabalhar com pessoas que antes nós não tínhamos trabalhado e isso te faz crescer muito. Estar no estúdio com outras pessoas, outros produtores, outros compositores, sempre faz você crescer. Nesses três anos de Selva, tivemos a oportunidade de trabalhar com gente muito legal como Alok, Vintage Culture, com uma série de compositores, vários cantores, como o Di FerreroMatheus & Kauan, com uma cantora que a gente conheceu por conta do projeto. O Selva é um caldeirão e poder viver isso de forma tão livre faz com que a gente cresça muito, pois nós experimentamos muito, erramos muito e às vezes acertamos. Então, o Selva tem sido uma escola.

D: Vocês já contam com muitas parcerias. Quais outras colaborações musicais os fãs podem esperar para este ano?

PL: A nossa ideia é lançar uma música por mês, eu tenho vontade até de disponibilizar mais, porque a gente tem mais coisa pronta do que isso, porém acho que vamos fazer uma por mês. As próximas parcerias, as que são legais de contar, vão ser uma música com o Di Ferrero, canção que a gente terminou semana passada, e que foi muito legal de fazer. Eu por conta do Restart e o Di por conta do Nx Zero sempre estivemos próximos de alguma forma, mas nunca conseguimos fazer nada juntos. E o Selva possibilitou isso, foi muito legal, uma realização massa. Nós temos uma colaboração com o Matheus & Kauan que também está pronta, esperando uma boa data para ser lançada, acho que no segundo semestre. E fora isso, tem alguns trabalhos com artistas internacionais, uma faixa com uma cantora da Indonésia, uma música com um DJ português. Enfim, tem muita coisa mesmo para sair.

D: Então podemos aguardar parcerias internacionais de vocês?

PL: Sim! A nossa próxima parceria internacional, provavelmente, vai ser com a Prilly Latuconsina que é uma das maiores artistas da Ásia. Ela é uma atriz de cinema que vai começar a cantar agora, se lançar como cantora, ela é muito gigante. Nós fomos para a Indonésia para gravar um clipe com ela, é uma música muito legal, bem pop.

D: A colaboração dos sonhos de vocês seria com qual artista (podendo ser nacional ou internacional)?

BC: Eu, pessoalmente, diria com o blink-182. Do Brasil, a gente está fazendo com três artistas que gostamos muito, Paulo Ricardo, Matheus & Kauan e Di Ferrero. Também curto muito o trabalho da Anavitória, seria uma honra colaborar com elas, assim como o Tiago Iorc, o Luan Santana, entre outros.

D: Além disso, quais são os planos para 2019?

BC: Estamos planejando nossa turnê internacional para o segundo semestre. E agora estamos fazendo o show completo, algo que sempre quisemos fazer. Então, estamos muito muito muito felizes.

D: Podemos esperar um álbum em breve?

PL: Eu gosto muito da ideia de um álbum, mas eu também estou um pouco mais velho (risos). Portanto, não sei se o álbum funciona para o público que consome música, que vai vir a consumir no futuro. De repente, no fim do ano, a gente junta todos os lançamentos, coloca algo mais e lança um álbum. Tenho muita vontade de ter um álbum do Selva, o nosso primeiro lançamento foi um EP, então gosto da ideia de ter um trabalho em que você junta um monte de coisa, porém, a princípio não está nos planos.

BC: A gente quer fazer mais música, mas fazer um álbum seria animal! Nós sempre queremos fazer trabalhos diferentes, queremos fazer algo acústico, fazer faixas juntando com outros gêneros dentro do Selva. Com certeza pensamos muito em cada vez criar e lançar mais música. Se um dia se configurar como um álbum vai ser mais legal ainda!

D:  E quais são os sonhos de vocês como artistas? 

BC: O nosso sempre é conseguir fazer o que a gente faz. Nós batalhamos bastante para evoluir, para conseguir fazer um show melhor, para sermos cantores melhores, sermos compositores melhores. Então, o nosso sonho sempre vai ser alcançar as pessoas com a nossa música.

PL: O sonho do projeto é não ver um final.

D: Para finalizar, para quem está conhecendo o Selva agora, o que vocês acham importante destacar?

BC: Que o Selva é um projeto de música, ele não é um projeto só de eletrônica. Então, dentro das várias canções que você vai ouvir do Selva, vão ter trabalhos que você vai gostar menos, gostar mais, gostar muito, não gostar. Acho que vale a curiosidade você conferir as nossas músicas nas plataformas digitais e o nosso show, a gente está feliz com o resultado que ele está dando. Portanto, também vale a pena vir conferir a gente ao vivo que tem sido muito divertido.

PL: Eu diria para a pessoa escutar as nossas músicas. Se você não nos conhece e está conhecendo lendo essa matéria, escute as nossas faixas. Acredito que a música sempre diz mais do que qualquer outra coisa. Então, tenha a oportunidade de escutar algumas de nossas canções, porque o nosso trabalho é muito diversificado, tem pop, tem coisa de pista. Às vezes você acaba escutando algo que não é do seu estilo e fala “Puts! Eu não gosto”, porém dê a chance para o Selva e escute um pouco mais do nosso material, porque eu tenho quase certeza que com alguma de nossas músicas você vai acabar se identificando.

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Reportagem: Victória Lopes

Colaboração: Matheus Fabbris

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