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DAMMIT Entrevista: Mayra fala sobre o lançamento do EP “Voices”, inspirações musicais e relembra tempos de College 11

Conversamos com a cantora sobre o EP “Voices”, inspirações musicais, carreira, College 11 e muito mais!


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  • Publicado em 17 de maio de 2019

Mayra Arduini, conhecida apenas como Mayra, é uma das artistas mais talentosas do Brasil na atualidade. Se enquadrando no perfil de “artista completa”, a jovem de 25 anos, canta, compõe e atua. Mayra começou sua carreira musical aos 14, compondo músicas para outros artistas e performando com bandas. Mas foi ao lado do amigo Bruno Martini que Mayra encontrou a fórmula perfeita para fazer música. Escrevendo juntos desde 2008, essa parceria de sucesso começou quando ambos foram convidados pela Disney Channel para escreverem canções para o programa de When the Bell Rings (no Brasil: Quando Toca o Sino). Pouco depois, a Disney contratou Mayra (e Bruno) para estrelarem seu próprio programa de televisão, o College 11. O programa foi sucesso certeiro e assim, os dois lançaram álbuns, entraram em turnê e conquistaram fãs em diversos países.

Desde o término da banda, Mayra trabalha em sua carreira solo, a cantora já divulgou a faixa Champagne e fez colaborações de sucesso com o duo holandês Sunnery James & Ryan Marciano (Savages e Shameless), todas em parceria com o seu fiel escudeiro Bruno Martini.  

Com brilho e personalidade própria, Mayra lançou nesta sexta-feira (17) seu EP de estreia, Voices. Composto por três canções, “Listening”, “Looking For You” e “Monster”, o EP irá apresentar uma narrativa através do videoclipe de cada uma delas. Voices tem o intuito de mostrar quem é a real Mayra. O DMT conversou com a cantora sobre Voices, inspirações, amizade com Bruno Martini, College 11 e muito mais! Confira a entrevista completa:

DAMMIT: Você lançou nesta sexta-feira (17) o seu EP de estreia Voices. Como foi a produção desse trabalho, a seleção e a composição das faixas?

Mayra: São três faixas, cada uma tem a sua história particular. Mas o mais interessante de falar é que cada uma delas foi escrita em um momento de inspiração com relação ao que cada uma aborda. Listening é uma faixa que fala explicitamente sobre abuso sexual, abuso físico e abuso mental às mulheres, isso veio para mim numa vez em que estava conversando com uma amiga e a gente percebeu que não existe uma mulher que nunca tenha passado por isso, e eu fiquei “Caramba! Falamos o tempo inteiro sobre respeito, limites e parece que ninguém está ouvindo a gente!”, então essa faixa surgiu meio que disso. Cheguei no estúdio, o Bruno estava com um pouquinho dela produzida, precisava de uma melodia, então comecei a cantar essa melodia com a letra que já tinha meio na minha cabeça e saiu Listening.

Monster veio em um momento de crise extrema de depressão que tive. Um dia eu estava entalada, cheguei em casa e escrevi Monster, que fala bastante sobre depressão, sobre como ela influencia tanto na nossa vida, no nosso dia a dia, nossas dúvidas e inseguranças.

E Looking For You, é a última faixa, é muito louco porque ela não foi feita para ser a conclusão do EP, mas acabou sendo, pois se encaixa perfeitamente. É uma música sobre se encontrar, procurar o amor próprio dentro de você e não conseguir enxergar isso, mas você continua procurando, e essa é a luta diária de se olhar no espelho e ter a coragem de dizer que você se ama. Acabou que essas três faixas meio que se juntaram nessa linha perfeita, Listening, Monster e Looking For You. Então, veio o Bruno Martini, que é meu amigo, meu irmão, meu parceiro há muitos anos, desde o College 11, e me ajudou a produzir esse álbum, trazendo alguns amigos dele também. O Bruno trouxe o Angel Lopez, que trabalha com o Timbaland nos Estados Unidos, para ajudar com essas faixas e saiu o EP. Se chama Voices porque é justamente essas pequenas vozes em nossa cabeça, que a gente escuta geralmente, algumas a gente ignora e outras a gente inventa de escutar, e “O que são essas vozes?” é essa a grande pergunta.

D: O que Voices significa para você?

M: Significa a minha identidade como ser humano, uma pessoa falha, uma pessoa de verdade. Um ser humano que é artista sim, estava na mídia, fez televisão, está há muito tempo aí, mas que tem dias que acorda e não quer sair da cama, tem dias que quer mandar um cara à merd@, uma pessoa real. Eu quero transmitir isso nas minhas músicas e também quero passar a mensagem de que você tem que se amar, tentar se amar todos os dias.

D: Suas músicas são pessoais, retratam algumas experiências da sua vida e de assuntos sérios. Como é transformar sentimentos, vivências em canções? Como é o seu processo de composição?

M: Elas são bem pessoais mesmo! Mas acho que além de músicas pessoais, eu queria fazer também que as pessoas que ouvissem se identificassem por ser pessoal. Esse processo de criação é muito louco, penso que não existe muito um processo. Às vezes estou no estúdio com o Bruno, e ele está fazendo uma harmonia, um beat, uma produção e aí vem alguma coisa, já virou meio que um ritual dele, sentar no estúdio e fazer música.

Creio que as grandes canções que fiz na minha vida sempre foram em momentos aleatórios, eu na minha casa sozinha, pego meu violão para brincar e acaba saindo uma canção. E o Bruno em um dia que ele está super ocupado, começa mexer cinco minutos no Pro Tool (estação de áudio digital) e sai uma música incrível. Acredito que as maiores inspirações que eu e ele ou eu tenho sempre são de vivências mesmo, acho que não tem uma canção que não seja sobre uma vivência minha.

D: Foram lançadas nos últimos tempos músicas com a sua participação, mas com o EP podemos dizer que você está dando o pontapé inicial na sua carreira solo. Qual a sua expectativa com Voices?

M: Tenho Savages e Shameless com o Bruno e Sunnery James & Ryan Marciano que foram duas músicas que bombaram, fiquei muito feliz. Shameless entrou no chart da Billboard (Dance/Mix Show Airplay), o que foi incrível, é maravilhoso poder dizer que tem uma faixa minha na Billboard.

A minha maior expectativa mesmo é poder mostrar para as pessoas quem eu sou, por muito tempo eu fui a menina da Disney. Queria que a galera visse que existe humanidade em artistas também, existe uma parte muito humana da mídia, do ator, da cantora, do ídolo, queria mostrar que sou humana tanto quanto eles e ver que esse pessoal pode me ouvir e falar junto comigo. Queria poder fazer um show e essa galera cantar essas músicas comigo e falar “Caramba, eu me sinto representada de alguma maneira”.

D: Parabéns pelo ranking da Billboard! É algo muito importante na carreira de um artista.

M: Muito obrigada! Muito importante, Nossa Senhora! Acho que no dia que recebi a notícia só faltou eu chorar, até abri uma garrafa de champagne. Foi um marco na minha vida!

D: Listening é a sua nova música de trabalho. Por que você escolheu esta faixa? O clipe dela também foi lançado, você pode contar um pouco da história do vídeo, o que ele significa para você?

M: Foi assim: quando a gente escolheu a ordem, porque tínhamos três músicas e estávamos pensando em qual ordem a gente iria seguir, eu já tinha escrito mais ou menos um roteiro para o vídeo, mas aí acho que dei uma viajada e pensei “Quer saber? Eu quero fazer três videoclipes!”. Quero fazer um videoclipe para cada faixa, quero contar história, quero uma linha narrativa, mas quero que isso seja dentro desse universo do que estou querendo dizer nessas músicas. Então, Listening foi a que a gente decidiu utilizar como pontapé inicial, porque acho que ela é o primeiro ‘grito de chega’ para tudo. É uma faixa que traz uma vibe muito pop na produção, mas se você vai parar para pensar na letra, ela não é nem um pouco pop, é uma canção que está dizendo “Para um segundo e me escuta!”. É a canção perfeita para fazer isso e para poder contar essa história.

Depois vem Monster que é mais sobre aquela queda no fundo do poço, quando a gente perdeu tantas batalhas e já está cansado, não tem força para lutar essa guerra. E Looking For You é tipo “Quer saber? Eu ainda tenho força!”, tenho força para me procurar, para me amar, para acordar e fazer o que é certo.

D: Serão três videoclipes no total contando uma narrativa. Como foi a produção dos clipes?

 M: Os videoclipes foram um processo muito muito muito muito da hora! Acho que foi a primeira vez na minha vida que participei quase que 100% em todo o processo de produção. Foi incrível, conheci uma mana maravilhosa chamada Patricia Galucci, ela foi indicada para mim quando eu comentei com uma amiga que queria fazer um clipe baseado mais ou menos nessa história, nessa linha, e ela disse “Eu conheço a pessoa perfeita para te ajudar!” e me indicou a Patricia, que é uma mana que trouxe uma equipe de mulheres para trabalhar comigo, minas trans, lésbicas, negras, brancas e não poderia ter sido outra equipe. Ela sentou comigo e escreveu o roteiro, e a gente conseguiu contar essa jornada de uma mulher entre todas essas coisas, entre ser uma mulher, ser um humano com depressão e ser uma pessoa que tem dificuldade de se amar, e foi sensacional.

D: Seus clipes foram dirigidos por uma mulher e com uma equipe majoritariamente feminina. Atualmente, o feminismo ganha cada vez mais espaço dentro da cultura pop, principalmente na música. Qual é a sua percepção sobre isso? 

 M: Com certeza é muito importante! Acho que quanto mais espaço, melhor. A gente sempre traz essa discussão sobre o porquê as pessoas estão falando sobre isso, será que é para ganhar dinheiro, será que é para vender? Mas no final do dia, acredito que a nova geração precisa saber que pode falar sobre isso. Não existe lado ruim de falar sobre essas coisas, penso que vai ser muito interessante daqui alguns anos a gente pode ver as meninas que são 10 anos mais novas que nós chegando nos lugares e falando “Não, mas eu tenho voz! Fica quieto, eu tenho voz aqui, não vou ser calada, não vou ser reprimida de maneira alguma!”, e dentro de casa também, a gente precisa que os homens respeitem as manas, isso é mais importante do que qualquer coisa.

D: O Bruno Martini produziu Voices. Vocês trabalham juntos há anos, desde a época da Disney. Você tem maior liberdade ao trabalhar com um amigo? Como é trabalhar com ele?

M: Eu tinha uma mania antigamente que eu não conseguia trabalhar com ninguém que não fosse o Bruno, porém agora que ele está com essa agenda, o vejo muito pouco. Mas cada vez que a gente se vê é maravilhoso! De qualquer forma, agora estou trabalhando com outras pessoas, de vez em quando produzo com outro pessoal, escrevo músicas para outros artistas também. Trabalhar com o Bruno é sempre incrível, porque pode até parecer meio que magia, mas sempre sai alguma música, a gente tem uma química musical que acredito que nunca vai acabar. Eu dou graças a Deus, porque a gente faz faixas incríveis juntos, e nós somos amigos. Eu e o Bruno estamos juntos há 11 anos, vai fazer 11 anos que eu trabalho com ele, então já virou família, eu vejo o Bruno na minha vida até ficar velhinha de bengala.

D: Estava vendo os clipes de College 11 e muita gente comenta que sente saudades e considera vocês dos tempos de ouro da Disney. Como é ter fãs tão leais que ainda acompanham você e o Bruno? Você sente falta?

M: Nossa Senhora! Se tem uma coisa que eu sempre converso com a minha família e com os meus amigos, é que os fãs do College 11 são a maior benção, milagre da nossa vida, porque eram dois brasileiros cantando música em inglês no Brasil, obviamente que existe toda a facilidade do inglês de que as pessoas escutam e acham que é internacional, mas nós também recebemos muitas críticas por causa disso. Os fãs do College acompanham a gente até hoje, no meu Instagram é o tempo inteiro “Volta College 11!” e eu acho incrível! O que eu queria fazer eles entenderem, e é difícil de passar essa mensagem, é que o College 11 vai existir para sempre enquanto eu e o Bruno estivermos trabalhando juntos. O College 11 não era só a gente juntos no videoclipe ou no palco. O College 11 era eu e ele no estúdio, eu e ele trocando meme no WhatsApp, isso era o College 11 também e isso continua acontecendo. O Bruno me liga e fala “Vem pro estúdio”, e já estou indo, aí ele me liga e fala “Meu, você não sabe o que aconteceu! Fui fazer um show e caí do palco”, somos melhores amigos, somos família, a gente é irmão, então dentro do nosso coração, o College 11 nunca vai acabar.

D: Quais são as suas inspirações musicais?

M: Está preparada? Porque tenho algumas (risos). Ultimamente, eu tenho ouvido muito BTS, muito mesmo, sou muito muito muito fã dos caras, mas nem vou entrar no assunto BTS, senão vou ficar falando quatro horas sobre isso com você. Estou ouvindo muito Ariana Grande e adorando o que ela está fazendo, acho que é um diferencial no mercado fonográfico lançar canções sem preocupação. A Halsey também é uma pessoa que admiro muito, a Billie Eilish, a H.E.R.. Tem alguns artistas nacionais também, antigamente não ouvia muita música nacional, mas agora está incrível! Estou ouvindo bastante Gloria Groove, Carol Biazin, Day Lima, Iza, está cada vez melhor o mercado musical.  E é claro que a gente tem inspirações da nossa adolescência, eu era muito fã de McFly quando era mais nova, sou viciada neles, comecei a minha carreira por causa deles, Paramore, All Time Low, eu fui bem emo na minha adolescência (risos). Música é para sempre, a gente não para de gostar.

D: De todos os artistas do mundo, com qual você gostaria de colaborar?

M: BTS, sem sombra de dúvida!

D: Para finalizar, quais são os seus planos para 2019?

M: São muitos! Mas o primordial agora focar no EP. Já faz mais de um ano que estou trabalhando nele, meu Deus do céu! Então, além do lançamento, a gente pretende também divulgar muita música esse ano, tem coisas com o Bruno vindo aí, que eu não posso falar muito sobre porque é assunto dele. Tem outras canções solo, projetos, talvez parcerias. Muitas músicas que escrevi para outras pessoas também que estão para sair, eu já tenho duas faixas que estão bombando, uma com a Giulia Be chamada Too Bad que tocou na novela da Globo e uma que a Rouge gravou e tá no EP delas também, isso é muito legal. Esse ano para mim é só música, música, música, música e vai ser muito incrível!

 

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Reportagem: Victória Lopes

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