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DAMMIT Entrevista: Agnes Nunes e Xamã lançam a faixa “Cida” e falam sobre seu novo projeto

Tivemos o prazer de conversar com a cantora e com o rapper sobre a música, seu novo projeto em conjunto e carreira. Confira!


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  • Publicado em 12 de junho de 2019

Agnes Nunes e Xamã lançaram nesta quarta-feira (12) Cida, a primeira das quatro faixas do poderoso projeto da dupla que irá culminar no EP Elas por Elas. Inspirado em mulheres que marcaram suas vidas, a jovem de 16 anos que viralizou na rede e a estrela do rap aproveitaram a forte amizade que tem para unir forças e realizar esse belo trabalho.

Agnes é a mais nova promessa da música e um fenômeno da internet. Com mais de um milhão de seguidores nas redes sociais, a artista bombou nos quatro cantos do Brasil ao ter um de seus vídeos compartilhado por personalidades como Lázaros Ramos, enquanto Xamã é um dos rappers de maior sucesso na atualidade; de origem humilde, o cantor passou de vendedor de amendoim a sensação em seu gênero musical. Com muita iniciativa e talento, Xamã fez parte de projetos como Cartel MC’s, 1Kilo e Brutang44.

Conversamos com Agnes Nunes e Xamã sobre sua nova faixa, Cida, o videoclipe da canção, carreira e planos futuros. Confira:

DAMMIT: Podemos começar falando sobre Cida, música que foi lançada nesta quarta-feira (12). Como surgiu essa canção e sobre o que ela aborda?

Xamã: A gente decidiu fazer um trabalho sobre quatro mulheres que foram importantes em nossas vidas. No início, nós tínhamos a ideia de fazer só uma música, mas conforme fomos convivendo, percebemos que temos muitas coisas a ver. Gosto muito do som da Agnes, ela é uma das melhores vozes do país. Portanto, a gente resolveu fazer um projeto no qual eu pudesse sair da minha zona de conforto, que é o rap, e decidimos fazer Música Popular Brasileira. Então, fomos para o estúdio e construímos em dois dias as quatro músicas, a primeira acredito que tenha sido Dolores, e Cida foi a segunda. Escrevemos essa canção juntos e com a presença de todo mundo ali no estúdio, toda a galera. A Cida, nesse caso, é a mãe de Agnes, ela até faz uma pequena participação simbólica na faixa, que é em homenagem a ela. Cida é uma das músicas que eu mais gosto nesse trabalho sobre as mulheres.

Agnes Nunes: Cida, como o Xamã disse, é o nome da minha mãe. Ela teve uma participação na música, a gente conseguiu convencer ela a colocar sua voz na faixa, que acabou levando o nome dela. A canção também é uma homenagem, tem alguns versos, algumas palavras que escrevemos pensando na minha mãe. Então, o projeto é sobre quatro mulheres importantes para nós: Dolores, Sonia, Rose e Cida, a única faixa que a gente criou pensando em outras mulheres também foi Dolores.

Xamã: Dolores é uma música bem dolorida, e foi a primeira que gravamos. Por ser uma faixa triste, levou esse nome. Mas Sonia, Rose, Cida são para as nossas mães.

Agnes Nunes: O resto é para as mulheres que fazem parte das nossas vidas. Então, Cida é basicamente isso, veio da Cida real.

D: Existe algum motivo especial para lançá-la em pleno Dia dos Namorados?

AN: Ela é a música mais romântica de todas. O clipe traz a ideia de nós como um casal, dentro de um puma vermelho. É o vídeo mais romântico, tem uma parte que o Xamã canta: “Trouxe um chocolate das lojas Americanas, o segurança me pegou, deu mó problema. Xamã é um louco inconsequente que te ama”, é como se a gente tivesse cantando, se declarando um para o outro. Então, Cida é a música mais romântica do projeto.

X: É a música mais romântica, com certeza. As outras são mais reflexivas, Cida é uma balada romântica dos anos 60.

D: Vocês vão lançar no total quatro faixas, quatro clipes. O vídeo de Cida também foi divulgado hoje, comentem um pouquinho sobre esse processo, sobre o novo clipe.

X: Fizemos os videoclipes basicamente todos juntos e num intervalo de dois, três dias. O último que gravamos foi Cida. No clipe, a gente está vestido como um casal dos anos 60, tem um puma no estúdio. Ele é bem romântico em si, bom para ser divulgado no Dia dos Namorados, é bem doce. A música te faz lembrar de algum amor que está encravado, que você já teve, ainda tem. Nós estamos bem caracterizados também, o diretor fez questão de deixar tudo bem diferente, bem distinto do que a gente já fez e do que está acontecendo na cena em geral no país. Quisemos fazer uma parada bem inovadora.

AN: Nós estamos num puma vermelho, tem um pôr do sol maravilhoso, o melhor que eu já vi. Ficou muito legal toda a paleta de cores do vídeo, o espaço é maravilhoso, a maquiagem, tudo foi combinado para harmonizar. Tudo está muito suave, aquela vibe anos 60. Foi feito nessa linha para ser diferente, mas também está harmonizando. É uma coisa muito linda mesmo!

D: Cida é a primeira faixa a ser lançada desse projeto realizado pela gravadora de vocês. Por que a escolha dessa música para iniciar a divulgação?

X: Acredito que pelo fato de ser lançada no Dia dos Namorados e por ela ser a romântica. Uma música que se enquadraria perfeitamente para essa data, a ideia inicial seria essa e o pessoal do marketing concordou que seria legal. Além disso, é uma das faixas preferidas da galera, se você fizer uma pesquisa com todo mundo da Baguá Records,é a música preferida do pessoal, a que eles mais gostam.

AN: É verdade, principalmente isso da aceitação pelo marketing. A gente tentou alinhar o útil ao agradável!

X: Escolhemos a mais romântica, a mais doce para aproveitar essa época do ano. Já que as outras faixas são mais reflexivas, são homenagens abertas para as mães.

AN: Não queríamos lançar Dolores agora já que é uma música mais triste, nem Sonia, porque é uma homenagem à mãe do Xamã e para as outras Sonias, tampouco queríamos divulgar Rose que também é uma dedicatória. Cida é a música mais comercial e é que a mais se encaixaria nesse momento, é a mais apaixonada, é a que combina com a vibe não só do jovem, mas também da galera em geral.

X: A letra de Cida já é uma declaração de amor em si, as outras são mais uma reflexão. Dolores é triste, Rose é uma homenagem bem clara para a mãe, tem frases para ir almoçar, que a roupa está do avesso, para não se atrasar, coisas que mães falam mesmo. Então, Cida é uma declaração de amor.

D: Como surgiu esse trabalho em conjunto?

AN: O Xamã é meio que meu padrinho. Eu gravava covers para as redes sociais, e um dia gravei A Bela e a Fera e depois Poesia Acústica, a parte que ele cantava. Depois, ele me mandou uma mensagem falando que queria que eu gravasse uma música com ele, que eu fosse para o Rio de Janeiro. Quando eu fui, o nosso santo bateu e decidimos não só gravar uma música, mas fazer um projeto, porque quando vimos já estávamos na segunda, na terceira, na quarta música. Foi uma parada muito sinistra, nossas almas se reconheceram e tudo começou a fluir, assim surgiu esse trabalho.

X: Eu sempre assistia os vídeos da Agnes e falava “Caraca, ela melhora todas as músicas!”, a galera sempre gosta, quando ela canta parece que ela dá um sentimento maior. Para mim, com certeza, a Agnes vai ser uma das maiores cantoras na história da Música Popular Brasileira. Vão lembrar dela durante muito, muito, muito tempo. Esse projeto, acredito que é só o começo de muita coisa bacana que vai acontecer, tanto para ela quanto para mim, no nosso trabalho na Baguá Records. Nós tentamos fazer algo bem diferente de tudo, tentamos inovar. Temos quase que as mesmas referências musicais, a gente escuta quase os mesmos artistas. Quando estamos juntos sempre acabamos cantando uma música no meio da conversa. Penso que o mais bacana de tudo é que a gente no estúdio sempre está bem relaxado, confortável um com o outro e sempre isso resulta em algo ‘da hora’. Acho que a galera esquece disso, esquece que a música é para relaxar, curtir, para consolar. O mais bacana sobre a Agnes é que ela faz você se sentir à vontade, ter vontade de escrever coisas novas, fazer coisas novas, ter novos pontos de vista.

D: Qual é a expectativa de vocês, não apenas com Cida, mas também com o EP Elas por Elas, que será lançado totalmente no dia 5 de julho? 

X: Imagino que esse é o som que as pessoas gostam de ouvir, porém hoje em dia ele está meio escasso. Atualmente, parece que existe uma fórmula para fazer alguma coisa estourar, e isso acaba sendo um pouco mecânico. Desenvolvemos esse projeto justamente para correr na contramão do sistema. Saí do meu nicho que é o rap, de todo esse movimento que está acontecendo no país para fazer MPB, que foi algo muito forte antigamente. E eu sinto saudade disso agora, de ter uma grande cena desse gênero, de poetas, de intérpretes. Espero muito desse projeto, sinceramente, porque a galera aguarda algo de mim e da Agnes. Nas redes sociais, quando postamos fotos juntos, quando anunciamos alguma coisa, a galera sempre fica muito ansiosa, comentam bastante. Creio que essas quatro faixas vão ajudar nesse meio, é muito promissor. Não tem muita gente fazendo MPB assim, o que deveria estar em alta no momento é a música do nosso próprio país, do Brasil, porém as pessoas acabam copiando algo de fora para trazer para cá. Nós curtimos MPB, rock nacional, as coisas daqui, utilizamos os recursos da língua portuguesa, a gente gosta da nossa brasileirice. Fizemos algo bem brasileirão, por isso penso que o público vai se identificar com o projeto.

AN: A gente colocou muito sentimento nisso. Eu sempre falo que quando as coisas têm sentimento, elas costumam pegar mais. Então, espero que dê tudo certo, que seja bem recebido como já está sendo, recebemos muitas mensagens positivas nas redes sociais. O trabalho tem tudo para dar certo, temos uma equipe maravilhosa trabalhando com a gente. Foi algo que fizemos do coração mesmo, colocamos esforço, colocamos suor, apostamos bastante nisso. Torço que tudo dê certo, que tudo flua muito bem.

D: Vocês parecem ser super amigos. A amizade ajuda na hora do trabalho?

AN: Ajuda muito, demais (risos)!

X: Às vezes, a gente tem que fazer música com uma galera meio prego (risos), mas ser amigo ajuda demais, porque nós ficamos mais relaxados.

AN: O Xamã é maravilhoso, porque ele não tem besteira. Ele chega, brinca mesmo, cutuca mesmo, coisas que fazem com que a gente se sinta à vontade e que entre na onda, fique sem limites. Ficamos à vontade para dizer o que queremos, fazer o que queremos. Então, a amizade ajuda para caramba!

D: Agnes, você é super jovem e já é um exemplo de artista que começou no Youtube, viralizou e prosperou no meio musical. Você imaginava isso? Como é receber toda essa notoriedade? Qual conselho você daria para alguém que também canta na internet?

AN: Eu comecei sem pretensão. Sempre via que as pessoas que chegavam cansadas do trabalho, até pelo pessoal que convivia comigo, para relaxar, acessavam a internet e acabavam se deparando só com coisas desnecessárias e tristes, então pensei “Por que eu não posso ser a luz no fim do túnel para essas pessoas e para os jovens?”. Assim, iniciei a gravar os vídeos sem pretensão nenhuma e muitos artistas, que eu admirava, começaram a me enviar mensagem, me parabenizando. Muitas pessoas começaram a compartilhar, inclusive essas personalidades, e a coisa foi crescendo, tomando forma. Acredito que é muito importante ter uma pessoa que apresente uma representatividade, não só porque eu sou cantora, mas também porque sou do Nordeste e pelo fato que sou negra, acabo servindo de espelho para muitas meninas, para muitas adolescentes, para mulheres que de alguma forma queriam se sentir representadas e não tinham isso. Agora, elas têm alguém que fale por elas, que apareça, que seja uma representação do Nordeste e da Paraíba.

Um conselho que eu dou para quem está começando é nunca desistir e também não esperar algo em troca, fazer intenções. Se a coisa acontecer, aconteceu, porém se não acontecer,  ela deve saber que a música está ali sendo um refúgio, não só para você. Mesmo que não sabendo, deve ter pessoas que quando assistem você cantando, ouvem a sua voz, fogem de sua rotina cansativa, saem da zona de guerra do dia a dia. Separam um, dois minutos para ter um momento de paz escutando a sua voz, para se livrar dessa vida corrida que elas levam. É isso, nunca desista, tem que ter fé, pensar que assim podem aparecer pessoas maravilhosas na sua vida, que vão mudar o seu modo de pensar, o seu modo de agir.

D: Xamã, você é um dos grandes destaques do rap nacional. O rap vem se tornando mainstream no Brasil, mas nada comparado ao cenário que a gente nota nos Estados Unidos, onde os rappers são muito requisitados. O que você acha que falta para o rap ter um espaço como o de lá? E o que você acha que o Brasil peca?

X: Eu acho que é só questão de tempo. O rap veio dos Estados Unidos, porém ele ainda é um estilo musical novo, tem menos de 50 anos. Acredito que aqui no Brasil é uma questão de tempo mesmo, porque a galera está muito entusiasmada com o que é o rap. Hoje, você tem a oportunidade de acessar a internet, baixar uma base, uma batida e escrever algo. E do dia para noite você se transforma no maior astro do país, que é o que aconteceu com alguns artistas e até comigo. A internet abriu portas, que ultrapassaram até o meio do rap. Comecei basicamente fazendo a mesma coisa que a Agnes, com vídeos, cantando, fazendo letras, alguns covers e depois de um ano já estava fazendo turnê por todo o Brasil com o 1Kilo. Depois fiz trabalho solo, disco, estourei com várias músicas. Tudo isso veio de um sonho de um cara que morava em Sepetiba, que sonhava em fazer música e a internet ajudou muito. Imagino que daqui 10 anos, 5 anos ou menos, vamos ter os primeiros milionários no rap, nada como o Jay-Z, que se tornou o primeiro bilionário do hip-hop, mas uma galera que vai estar fazendo muita grana. Nós temos no Brasil uma cultura positiva muito bacana, em todo lugar que faço show tem alguém muito bom, eu falo “Não acredito que esse cara não estourou ainda”. No Norte, no Nordeste, no Sul, nos bairros, até no karaokê, sempre há alguém que me faz falar “Não acredito! Esse cara é o próximo a estourar no mundo inteiro”. Desde que conheci a Agnes, descobri umas dez meninas que são sinistras, cantam muito. Que nem a Agnes falou, ela consegue incentivar, inspirar as pessoas a pensar “Eu também posso cantar, a minha voz também é bonita”, o que é bacana. De certa forma ou de outra, nós encorajamos outras Agnes, outros Xamãs a querer gravar um vídeo, fazer música e mostrar para todo mundo que aquilo é possível. O rap transmitiu isso para a gente, pois nós só precisamos de uma base, de um sonho e de uma caneta para escrever. Eu, particularmente, não sabia tocar algum instrumento. Então, vejo que apenas escrevendo, consegui me projetar de uma forma muito grande. Atualmente, já faço aula de violão, outras coisas, porém do lugar que eu vim, só tinha um sonho, uma letra, umas metáforas, uma batida e nem sabia o que era o rap direito. Imagino que é uma questão de tempo para o rap ser o ritmo mais ouvido do país.

D: Para encerrar, estamos no meio do ano, mas ainda tem muita coisa para acontecer. Quais são os planos de vocês para 2019?

AN: Nesse segundo semestre, eu abri minha agenda de shows, mas ainda estou na escola, então está tendo um policiamento em questão a show. Mas, abrimos a agenda e estamos com muitos shows, muita música está sendo gravada também, trabalhos solo, videoclipes. Estamos focados na carreira solo, em me constituir como artista, porque todo mundo me vê como a menina dos covers, então vamos focar nisso durante esse semestre. Também quero fazer shows fora do Brasil, construir uma carreira lá, mas por enquanto é isso.

X: Por ela ser bem nova, ter o colégio, seus compromissos, a gente tem que segurar a agenda, senão ela pira, não consegue cumprir os seus afazeres. Porém, acredito que tem muita gente procurando os shows da Agnes. Quanto a mim, tenho até o final do ano bastante shows, projetos a fazer, também tenho o meu próximo álbum solo. Imagino que nós só vamos fazer a mesma coisa que fizemos no início desse ano, plantar todo o nosso material para colher de verdade o resultado no ano que vem. Deixar tudo bem preparado para a Agnes ficar tranquila, terminar os estudos dela, conseguir realizar todos as suas responsabilidades e no próximo ano a gente domina todo o planeta, todo o sistema solar (risos)!

AN: Também espero que venham muitos trabalhos juntos pela frente, se Deus quiser!

 

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Reportagem: Victória Lopes

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