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Cara Delevingne x Whoopi Goldberg x John Green e porquê eles não estão errados

Whoopi defendeu os jornalistas de Sacramento e criticou Cara, que foi defendida por John Green. Mas não estamos todos no mesmo barco?


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  • Publicado em 31 de julho de 2015

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Muita coisa aconteceu nas últimas 24 horas no mundo da internet. Incluindo a desconfortável e fatídica entrevista de Cara Delevingne ao excelentíssimo Good Morning Sacramento.

A entrevista que tem dado o que falar, na verdade, foi ao ar há 8 dias, mas só ganhou a atenção da mídia e dos fãs na manhã de ontem (30). A discussão tomou proporções tão grandes que acabou saindo da internet e chegando à televisão. Mais precisamente, ao programa The View, apresentado por Whoopi Goldberg, Rosie Perez e Nicolle Wallace. Raven Symone, que entrou no programa recentemente, também participava do bate-papo.

Raven defendeu Cara, dizendo que ela estava nervosa por ter que passar o dia inteiro respondendo as mesmas perguntas. Foi então que Whoopi Goldberg arrancou aplausos da plateia dizendo que Cara deveria parar de reclamar e fazer o trabalho dela: “As pessoas estão ali trabalhando também e não tem culpa de você não estar num bom dia”. Não podemos dizer que ela está, não é?

A discussão estava longe de acabar. John Green publicou um texto enorme defendendo sua colega, Cara Delevingne, após as críticas. Vamos a um trecho traduzido:

Todo esse processo de mercantilizar as pessoas para vender ingressos de cinema é inerentemente desumano. O pessoal da TV quer uma parte de você e, em troca, eles colocarão o nome do seu filme na TV. Mas nesse processo, você perde algo de você.

Temos dois lados de uma mesma história e dois pontos de vista diferentes. A culpa não é da Cara. A culpa também não é dos apresentadores do Good Morning Sacramento. A culpa é desse modelo arcaico de marketing, onde a empresa transforma os atores em máquinas e os repórteres em meros meios de divulgação.

John Green está certíssimo! Esse processo é, de fato, desumano para o ator. Mas também é extremamente desconfortável e estressante para o jornalista.

Veja bem, quando você coloca os mesmos atores para divulgar um filme em 300 veículos de mídia diferentes ao redor do mundo (segundo John Green), você tem pelo menos uma certeza: as mesmas perguntas serão respondidas dezenas e centenas de vezes.

“Ah, mas o jornalista deveria se esforçar para fazer perguntas diferentes”. Tentem fazer isso chegando em uma press junket e vendo o assessor riscar metade das perguntas que você passou a semana construindo, cinco minutos antes da sua entrevista. Não é fácil assim.

Claro que existem repórteres desinteressados e preguiçosos, mas a grande maioria luta sim senhores por um conteúdo de qualidade para o seu veículo, meta essa que é quase impossível de ser alcançada quando existe restrição de tempo, restrição de perguntas e um assessor ao lado te assassinando lenta e dolorosamente com os olhos.

É muita pressão, dos dois lados! A empresa nos obriga a fazer as mesmas perguntas, os atores reclamam de responderem as mesmas perguntas e, claro, o resultado quando uma das partes não segue o script é esse desastre que vimos aqui.

Os apresentadores de Sacramento não foram nada profissionais. Assim como Cara Delevingne não soube ter jogo de cintura. E a entrevista mecânica, desinteressante e repetitiva que com certeza teria passado batida entre tantas outras, acabou virando o escândalo da semana.

Vale a pena? Os mesmos veículos, as mesmas perguntas, a mesma falta de vontade. Isso tudo vende ingresso? Não existem outras ações que diminuam essa tonelada de inutilidade?

Esperamos ansiosamente por este dia! Mas enquanto ele não chega, fiquem com uma entrevista divertidíssima de Nat Wolff e Cara Delevingne. A prova de que testar outros formados não machuca. Pelo contrário, só contribui!

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