Aparentemente, nós vivemos em uma bolha (mas não por muito tempo) Cover

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O resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos caiu como um meteoro em nossas cabeças na última quarta-feira. “Como é possível alguém apoiar Donald Trump?”. Todos nós questionamos, horrorizados, indignados.

“… o momento em que você percebe que vive em uma bolha”.

“Nós todos devemos viver em uma bolha online/em nosso liberalismo por pensar que isso não seria possível, mas foi (…)”.

Muitos comentários como o do Zedd e do Troye Sivan surgiram. E, de fato, eles estão certos. Nós vivemos em um mundinho particular que, infelizmente, não reflete a realidade do restante do mundo ainda. Guardem esta palavra: AINDA.

Mas senhora Dammit, o que nós, brasileiros, temos a ver com as eleições nos Estados Unidos?

Na prática, no nosso dia a dia, não muito. Mas, deixando a política de lado por um momento, sabe o que é interessante aqui? Os votos dos Norte-Americanos nessas eleições, dos Ingleses em relação ao Brexit, dos Brasileiros e de muitas outras nações, têm seguido o mesmo padrão: a voz da nossa geração está finalmente começando a ecoar.

Por que nós ficamos tão chocados com o resultado das eleições nos Estados Unidos? Porque estamos cercados de pessoas que, em sua grande maioria, compartilham da nossa visão, dos nossos ideais.

Felizmente, a nossa geração tem mostrado cada vez mais empatia, amor ao próximo, senso de justiça, vontade de ver o outro prosperando e tendo oportunidades independente da sua cor, raça, sexo, sexualidade, gênero. E é isso que este mapa nos mostra.

Se as eleições da última terça-feira fossem definidas por jovens entre 18 e 25 anos de idade, Hillary Clinton seria eleita com mais de 90% dos votos. O quão insano é pensar nisso?

O jovem tem se educado, estudado, se informado. O jovem tem votado contra o retrocesso, contra o preconceito, contra a opressão das minorias.

E isso não é uma disputa entre certo e errado, entre esquerda e direita, entre o bem e o mal. É sobre compaixão. Sobre se colocar no lugar do outro por um instante. Sobre aprender a coexistir.

Nós somos falhos, imperfeitos. Lidamos com os nossos próprios monstros e preconceitos internamente, mas não admitimos ver alguém sendo rebaixado, humilhado e descreditado por pessoas que vivem presas no século passado.

Pessoas que têm como objetivo segregar, separar, construir muros. Pessoas que pregam por um mundo melhor, mas desrespeitam a existência humana. Donald Trump e seus seguidores extremistas são um exemplo claro disso. Se você não concorda, assista ao vídeo abaixo e reflita, repense.

“Esta eleição não só nos mostrou como o ódio ainda prevalece, mas também o validou. O que é ainda mais assustador (…)”.

É assustador. Mas o ódio, muitas vezes, nasce do medo. E o medo é construído na gente pela falta de conhecimento. As pessoas tem medo do desconhecido, elas temem aquilo que elas não tiveram a capacidade de entender.

E, um dia, nós também tivemos medo. Ainda temos, de muitas coisas. A diferença é que nós somos uma geração que já nasceu com acesso a informação. Uma geração que discorda, sim, mas que questiona.

E é de extrema importância para as crianças e adolescentes de hoje terem como inspiração jovens artistas que, não necessariamente levantam bandeira política, mas encorajam seus fãs a se educarem. Encorajam o respeito ao próximo e o amor em suas diferentes formas. Isso basta.

O quão importante é a representatividade na mídia num mundo em que tantas pessoas se sentem sozinhas e excluídas? Ver alguém como o Troye Sivan sendo uma voz ativa na comunidade LGBTQ+, ou uma Zendaya envolvida na campanha Black Lives Matter, por exemplo, é revigorante.

Demi Lovato levantando a bandeira da importância da saúde mental. Miley Cyrus dedicando tanto tempo da sua vida ajudando desabrigados e realizando diversas outras campanhas sociais. Uma, inclusive, que acabou de ser lançada para ajudar escolas americanas (essa menina é sensacional!).

“Sem mais choro vindo de mim (…). Eu gostaria de começar com a primeira promessa e dizer que eu e a Happy Hippie estamos colocando a educação para os jovens no topo de nossa lista de prioridades em honra, é claro, de Hillary Clinton”.

E o que dizer de um grupo como Fifth Harmony, em que uma das integrantes, Normani Kordei, lançou uma campanha anti bullying e tem servido de espelho para milhares de meninas negras ao redor do mundo? Ou Camila Cabello, que escreveu um texto incrível sobre sua família de imigrantes e a jornada até os Estados Unidos quando criança. Lauren Jauregui que constantemente estimula seus fãs a se informarem, se educarem, aprenderem.

Ou Emma Watson, brigando por um mundo igualitário e equilibrado. E o melhor: fazendo com que esse debate chegue até pessoas que, normalmente, não estariam interessadas em ouvir sobre.

Esses artistas têm uma base de seguidores incrivelmente jovens. O impacto positivo de ações, mesmo que pequenas, acabam se tornando gigantes na formação deles e na construção do nosso futuro.

Não é sobre ser perfeito. Ou sobre ser famoso. Ou exatamente sobre Hillary Clinton e Donald Trump. É sobre usar sua voz para melhorar a vida daqueles que não tem. A revolução começa pequena. Começa dentro de cada um de nós.

E nós ainda estamos no começo, dentro da nossa bolha de aceitação e empatia. Mas o futuro nos pertence. E essa bolha está mais próxima de estourar do que a gente imagina.

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Postado dia 11 de novembro de 2016

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