DAMMIT Entrevista: Gayle Forman fala sobre “Quando eu parti” e novidade da adaptação de “Para Onde Ela Foi” Bookly

Muito sorridente e cheia de amor para compartilhar, Gayle Forman entrou na Saraiva do Shopping Center Norte, neste penúltimo domingo, para uma sessão de autógrafos de seu mais novo livro, Quando eu parti. A obra marca a estreia da autora na escrita para adultos e conta a história de uma jornalista e mãe, com seus 40 anos, que após sofrer um ataque cardíaco, decide se mudar e abandonar sua família em busca de uma autodescoberta.

Mundialmente conhecida pelos Best Sellers, Se Eu Ficar e Para Onde Ela Foi, a autora realizou um bate-papo com os fãs e respondeu diversas perguntas sobre suas obras, antes de autografar. Muito atenciosa e simpática, ela conversava com os fãs e até provou brigadeiro, que achou “ridiculamente maravilhoso”.

Confira abaixo a entrevista na íntegra, onde ela concedeu uma notícia exclusiva sobre a adaptação de Para Onde Ela Foi:

DMT: Essa é sua primeira vez no Brasil, certo? Como está sendo até agora? O que você está achando dos fãs brasileiros?
Gayle: 
Eu sabia que eu amaria o Brasil, porque os fãs brasileiros são – sem exceção – as pessoas mais gentis. Eu acabei de participar da Bienal, meu primeiro evento foi em uma quinta-feira no dia de um feriado nacional, o clima estava muito bonito e a feira estava encantadora. Interagindo com os fãs, deu para notar como eles são engajados e apaixonados, é tudo muito real e natural.

Você já experimentou alguma comida brasileira?
Sim, eu virei uma grande fã daquelas bolinhas de queijo [pão de queijo] e também já fui em uma churrascaria – mas agora não quero comer carne durante um mês, risos. Amanhã quero experimentar coxinha e feijoada. Feijão preto é uma de minhas comidas favoritas, então acho que vou gostar bastante.

Após o sucesso das séries, Se Eu Ficar e Apenas um Ano, você escreveu seu primeiro livro voltado à adultos. Você sentiu alguma dificuldade com o gênero? Como foi?
Escrever o livro não foi difícil. Eu não queria abandonar o público de jovens adultos, só queria contar uma história sobre casamento e maternidade. Então a parte de escrita foi o mesmo processo do que para um livro juvenil. A parte difícil é que meu público é praticamente de jovens adultos, muitos até adolescentes, então foi encontrar novos leitores e tem sido uma experiência muito boa.

O livro foi inspirado em experiências reais? Talvez nas suas como mãe ou esposa…
Sim! Minha mãe fez uma cirurgia de bypass quando tinha 40 anos, ela sempre se alimentou muito bem, fazia exercícios físicos, levava uma vida saudável, mas era genética e eu sabia que eu poderia passar pela mesma situação. Então muitos anos depois, eu tinha mais ou menos 40/42 anos estava viajando com amigos e durante um jantar ei senti dores no peito e corri para pegar o celular e pesquisar no google quais os sintomas de ataque cardíaco e saber se eu estava morrendo. A possibilidade de ter que fazer a mesma cirurgia que minha mãe, me assombrava, já que sua recuperação é bem demorada e difícil. Minha filha ainda era pequena e a ideia de que ter que que largar tudo no ar, me aterrorizava.  E foi assim que Quando Eu Parti, começou. Depois desse ocorrido eu fui no médico, fiz os exames e descobri que estava tudo bem com o meu coração. Alguns anos depois, minhas filhas já estavam crescidas e supostamente eles assumem que a mãe será a pessoa que cuida de tudo, tanto das coisas emocionais, quanto materiais. E isso me fez perceber que criamos tantas expectativas em nós mesmas e nos sentimos culpadas se precisamos pedir ajuda. Tudo isso foi se juntando. E minha filha mais nova é adotada, então comecei a perceber o quanto isso era muito óbvio e três anos depois, lá estava Maribeth.

E Se Eu Ficar, também é inspirado em fatos reais, né?
Exatamente! Há mais ou menos 16 anos, em fevereiro de 2001, dois amigos próximos e seus dois filhos morreram em um acidente de carro e foi bem parecido com a situação de Se Eu Ficar. Tinha um órgão – instrumento musical -, estava nevando, as escolas estavam fechadas, meus amigos eram professores  e não tinham que trabalhar… Então em uma noite eu recebi uma mensagem que eles haviam falecido e isso foi muito devastador para mim, que aquela família toda havia sido levada. Logo depois eu descobri que o menino de oito anos tinha sobrevivido mais tempo que o resto da família, ele era meu afilhado, nós liamos Harry Potter juntos e eu imaginei se enquanto ele estava desacordado, sabia que a família dele toda havia falecido e escolheu ir com eles. E isso foi uma coisa que me assombrou por muito tempo. Sete anos depois de escrever meu primeiro romance, eu acordei com a imagem de uma menina de cabelos escuros que tocava violoncelo em minha cabeça, e eu sabia que ela responderia essa questão. Essa menina é a Mia e seu irmão no filme, Teddy, é inspirado no menino da vida real. Adam e todos os outros personagens são fictícios.

Quando eu Parti fala muito sobre a vontade de algumas mulheres sobre largarem tudo. Você já passou por essa fase? Como lidar com isso?
Bom, eu escapo o tempo todo e a forma principal de como faço isso, é escrevendo livros. As pessoas costumam me perguntar – especialmente quando as crianças eram mais novas – como eu lido com a procrastinação e eu repondo que sempre no momento em que elas vão para à escola, eu ficava ansiosa para trabalhar, porque com elas em casa era sempre ‘mãe eu preciso disso’ ou ‘mãe onde está isso”, e então na escrita eu sempre escapo para um mundo onde jovens estão se apaixonando ou viajando, e é muito prazeroso. Outra forma é que agora também eu viajo muito, como por exemplo nesse exato momento eu estou fugindo. O ponto é que você merece ir a algum lugar onde pode pensar em apenas você mesma, sem pensar que é uma coisa egoísta de se fazer. Muitas mulheres não conseguem ainda.

O livro também fala bastante sobre mudanças e como estamos sempre cheios de tarefas. E você? Como você lida com a sua agenda profissional e reconcilia com sua vida familiar e social?
Sabe, eu não sei o que eu faço. Assim como todo mundo eu não desisto de um equilíbrio pesado e sou uma escritora, então é o meu trabalho. As vezes quando eu me sinto culpado eu lembro que é o meu trabalho, o que eu faço. E sempre penso que quanto mais ocupada eu estiver, mas eficiente eu estou sendo. Então o tempo vai passando, seus filhos vão precisando de você cada vez menos e assim vai ganhando mais tempo, então o equilíbrio fica mais fácil.

Você considera o livro feminista?
Sim, com certeza. Eu sou feminista e todos os meus livros também são.

Existe algum plano para levar Quando eu parti para os cinemas?
Quando eu parti é um livro voltado para o feminismo que Hollywood não tem opções. E eu acho que é porque quanso são histórias sobre mulheres, especialmente as mais maduras, eles não ligam. Mas há um enfraquecimento sobre representação e as histórias que são contadas, então quem sabe. Mas por enquanto não existem planos.

Falando sobre filmes, Se eu ficar fez o maior sucesso e os fãs estão esperando pela adaptação da sequência. Você pode contar alguma coisa sobre isso?
EXCLUSIVO:
Eu nunca comentei sobre isso, mas Chloë  [Chloë Grace Moretz] não quis fazer o filme, então é por isso que não vai acontecer. Mas tudo bem. Ela foi muito incrível em Se eu ficar e fez ótimas escolhas em seus outros projetos. Mas, não é impossível, estamos pensando [ela e a MGM] em como podemos entregar um final para aos fãs, porque eles merecem. Devo ter novidades até o final do ano.

Algum outro livro seu será adaptado?
Apenas Um Dia e Apenas Um Ano tem roteiros escritos, mas estamos procurando uma maneira de juntá-los em um só e fazer um único filme. E eu deveria estar escrevendo o roteiro de Eu Estive Aqui agora, mas né…

Como é ver seus personagens tomando vida?
Foi muito natural. Acho que porque eu estava trabalhando junto com o diretor, R. J. Cutler, e a produtora, Alison Greenspan, em cada rascunho, estive presente durante a escolha dos atores, enquanto eles gravaram, e tudo ficou exatamente como eu achava que deveria ter sido. Também foi bem excitante antes do filme ser lançado e ver aqueles enormes pôsteres, era o sentimento de uma daquelas coisas que você pensa que nunca vai acontecer.

Como é o seu processo de escrita? Você se isola ou prefere estar perto das pessoas?
Como muitas pessoas, eu acabo me distraindo com o ambiente, mas posso escrever em qualquer lugar, eu só preciso ficar offline e colocar um fone de ouvido. Então eu não preciso de algum lugar especial.

Você já está escrevendo algum livro novo? Pode contar alguma coisa?
Sim, eu já estou escrevendo um livro novo e tudo o que posso falar é que são três protagonistas, dois homens e uma mulher. Acredito que os brasileiros vão amar.

 

Curiosidades do bate-papo com os fãs:
Gayle revelou que acha brega a cena onde Adam está cantando no filme. Ela disse que lutou muito para que a cena não fosse colocada, mas não conseguiu.

• A autora confessou que seu momento favorito do livro é quando o pai da Mia larga sua banda para escolher uma profissão mais certeira, já que ele teria seu segundo filho. É um sacrifício muito bonito.

• Antes de entregar seus livros para a editora, ela tem a mania de ler em voz alta. Você escuta coisas que não queria perceber.

• Gayle comentou que a não tinha planejado escrever uma continuação para Se Eu Ficar, mas que um dia no meio da noite, Adam e Mia apareceram para ela perguntando sobre o que havia acontecido com eles. Então ela não conseguiu parar de pensar sobre isso e escreveu a continuação.

• Durante a entrevista, ela comentou sobre Harry Potter e como Potterhead fanática que sou, tive que peguntar sobre sua casa. “Sonserina”, respondeu ela. “Quando minha filha estava lendo os livros, ela chegou em mim e disse ‘você é ambiciosa e malvada, você é da Sonserina’ e ela pensava que me insultava com essas palavras, mas eu levei como um elogio. Depois eu fiz o teste do Pottermore e realmente deu Sonserina”, ela complementou dizendo.

Para finalizar, confira um recadinho de Gayle Forman para os fãs brasileiros:

REPORTAGEM: AMANDA JUSTO
COLABOROU: IULE KARALKOVAS

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Postado dia 19 de setembro de 2017

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