“A.K.A.”, de Jennifer Lopez, é um álbum tragicamente comum, mas funcional

Jennifer Lopez chegou em segundo lugar (não mais porque Justin Bieber se nega a sair do primeiro) no Social Chart da Billboard graças a sua participação na Copa do Mundo, com o Pitbull e Claudia Leitte A.K.A. “aquela outra garota”, como referida por Jennifer em entrevista. Seu décimo álbum mesmo não conseguiu garantir ou se mesmo manter o buzz.

O primeiro single foi a deliciosa “Same Girl”, que reflete bem uma época em que J.lo desconhecia o flop e era chamada de rainha do hip-hop (ou quase isso). O mais engraçado é que a faixa fecha o álbum, mesmo sendo a não-mais-forte mas de fato a melhor do álbum.

“First Love”, terceiro e atual single, é uma composição reutilizada por vários artistas meia-boca: uma música sobre amor, com versos esquisitos e repetitivos, que juntos tentam disfarçar o que poderia ser visto como algo ruim. O problema é que funciona. Max Martin sabe entregar uma música pop como ninguém.

Já o álbum em si é aberto pela música título do álbum, “A.K.A” (Also Known As). As declarações de identidade da letra e a batida pesada por cima dão um toque quase aceitável. A participação de T.I. carrega um hip-hop típico de músicas pop e consegue reforçar a embalagem. Infelizmente nenhum dos artifícios citados acima conseguem fazer da faixa uma boa abertura. Ela canta “essa não é a garota que você conhecia” no refrão, apesar de não ser muito bem verdade, não é? Ela pode até voltar para o bom e velho urban, mas nunca precisou ser tão comum.

Jennifer Lopez tem uma voz peculiar, que nem sempre se reflete bem em baladas. “Alive”, música antiga da cantora, é um exemplo de como sua voz pode se encaixar perfeitamente em certos trabalhos e “Never Satisfied” e “Emotions” são exemplos do contrário. Sabemos que ela pode cantar, mas infelizmente vemos uma falta de poder vocal na primeira faixa e a segunda soa fora de sintonia. Em “Never Satisfied”, em certos pontos existe uma quebra de sua voz. As batidas hipnóticas infelizmente também não ajudam.

“I Luh Ya Papi” foi o segundo single do álbum, com uma recriação dos vídeos de hip-hop bem interessante. A faixa é um pouco difícil de ser aceita, mas uma vez que acostumado com o refrão, você consegue entender sua força.

A parceria com Iggy Azalea, “Acting Like That”, é a música preferida de J.lo do inteiro CD. Todos ficaram bastante curiosos quando a faixa foi anunciada, ainda mais depois do promissor sneak peek lançado. Ela lentamente canta um leve hip-hop, bem street, que reflete os trabalhos feitos nesse ano, além do refrão minimalista e uma ponte forte, graças a participação de Iggy.

“So Good” está num território bem similar ao de “Emotions”, apesar de ter um tempo mais rápido e animado, com uma substância bem cativante.

Se as baldas anteriores foram um tiro no escuro, “Let It Be Me” é um alvo certeiro. A faixa lembra bastante a aqui citada “Alive”. Ela abre com um violão espanhol de fundo e uma paixão latina que só Jennifer Lopez tem. A letra é bem piegas e no melhor sentido da palavra: “Se apaixonar é um crime e o preço a pagar for minha vida, então dê-me a espada”.

Essa composição nós já conhecemos bem e sabemos que funciona: Jennifer Lopez e Pitbull. Como a própria já disse “não dá pra fazer um álbum sem [a participação de] Pitbull”. Completamos dizendo: não seria Jennifer Lopez se não tivesse bunda envolvida. Sendo assim, aqui temos a décima música do álbum. “Booty” não é uma obra de arte, mas consegue fazer você trabalhar, como sugere aletra. A batida investida por Diplo vem mais forte e rápida do que estamos acostumados, deixando as coisas bem interessantes.

“Tens” é uma das faixas mais fortes do álbum. Num passo bem sensual, ela soa fashion, culta e principalmente feroz e sexy. A inspiração em Madonna e Britney é bem aparente.

“Troubeaux” e “Expertease” apenas preenchem números e sugerem algo já apresentado no álbum.

Em conclusão, “A.K.A.” é apenas mais um trabalho de Jennifer Lopez, que pode fazer a diferença em pedaços, mas em conjunto não consegue ser forte o suficiente para ser “alguém” nesse meio.

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Postado dia 22 de junho de 2014

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